sexta-feira, 16 de março de 2018

A antiga biblioteca de Alexandria continha a maior coleção de escritos da antiguidade. Quando foi destruída, no século V A.D., um vasto tesouro de antiga sabedoria perdeu-se para sempre. Em 1989, o Estado Egípcio anunciou um concurso de arquitetura para o design de uma nova e extensa Biblioteca de Alexandria. Cerca de 650 equipas de arquitetos apresentaram projetos. Foi uma verdadeira surpresa quando a Snøhetta – uma pequena empresa norueguesa que nunca tinha ganho um concurso ou construído edifícios em grande escala – ganhou o primeiro prémio. A nova Biblioteca de Alexandria, ou Bibliotheca Alexandrina, abriu em 2002 e é amplamente encarada como uma das obras arquitetônicas mais importantes das últimas décadas. Embora simples, a biblioteca é magnífica. Na sua essência, o edifício é um cilindro vertical talhado na diagonal cuja clareza geométrica tem muito em comum com os grandes edifícios da antiguidade egípcia. Uma linha reta que perfura a forma cilíndrica da biblioteca é, na verdade, uma ponte pedonal, que fornece acesso à Universidade de Alexandria, para o sul. A ponte atravessa uma rua com muito trânsito de modo a alcançar o segundo piso da biblioteca e continua para uma praça pública na parte norte do edifício, na direção do mar. A oeste desta ponte, a maior parte do cilindro é recuada, criando um vazio que constitui o lado da entrada principal da biblioteca. A entrada da biblioteca fica situada à frente das portas dianteiras de uma sala de conferências mais antiga e parece evidenciar respeito por este edifício vizinho. Entre os dois edifícios encontra-se uma praça revestida com lajes e, na praça, uma vasta esfera que abarca um planetário. Uma fatia oblíqua foi retirada ao edifício em forma de cilindro. Normalmente, constituiria uma superfície elíptica, mas os arquitetos começaram a partir de um cilindro elíptico que é inclinado verticalmente. Assim, a área do piso térreo dos edifícios e o plano do seu telhado inclinado formam círculos perfeitos. As paredes inclinadas da biblioteca apontam todas para norte do mar, tal como o faz o declive do telhado. Embora um verdadeiro cilindro seja uma forma estática, as irregularidades da biblioteca proporcionam-lhe movimento – uma impressão que é reforçada pelo alcance vertical exposto do edifício de 10 andares, desde 10 m debaixo do chão a 32 m acima do mesmo. A parede sul do cilindro é revestida por lajes de granito que foram fendidos de enormes blocos, não serrados. A sua superfície é irregular, com contornos suaves. Estas placas de granito têm inscritos símbolos alfabéticos de todo o mundo. A passagem do sol pelo céu e os reflexos da iluminação eléctrica advindos de uma bacia de água adjacente produzem um dinâmico jogo de sombras sobre os símbolos gravados, evocando antigas paredes de templos egípcios. O vasto átrio central da biblioteca – um meio círculo com um diâmetro de 160 m – é uma sala imponente. A parede curva é feita de elementos de betão com dobradiças abertas na vertical, ao passo que a parede direita é revestida com pedra negra polida do Zimbabué. O chão está dividido em sete níveis em plataforma que descem para norte, na direção do Mediterrâneo. Fonte: www.noruega.org.br Nova Biblioteca de Alexandria A biblioteca de Alexrandria reuniu o maior acervo literário da Antiguidade entre 280 a.C a 416 d.C. A biblioteca e seu acervo foram queimados algumas vezes, porém há controvérsias quanto às origens de tais atentados. A Nova biblioteca de Alexandria foi construída em sete anos, tendo sido inaugurada em 2002. Partiu de um antigo sonho egípcio de valorizar a cidade de Alexandria e sua história. É na verdade não apenas uma biblioteca, mas um complexo arquitetônico composto por um planetário, dois museus, laboratórios, salas de conferência e cinco bibliotecas. Com 8 milhões de livros, a biblioteca de Alexandria não é a maior do mundo, título que cabe à biblioteca do Congresso Americano que dispõe de aproximadamente 130 milhões de títulos. Egito inaugura nova versão da Biblioteca de Alexandria Mil e setecentos anos depois da destruição da Biblioteca de Alexandria, considerada um dos maiores centros de conhecimento da História da Humanidade, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, inaugurou a versão moderna do complexo. Trata-se de um grandioso centro cultural batizado de Bibliotheca Alexandrina, que reúne museus e institutos de pesquisa, além da biblioteca propriamente dita. O renascimento da biblioteca terá um papel central na reunião de culturas e sociedades, disse Mubarak durante a cerimônia de inauguração, que contou com a presença do presidente da França, Jacques Chirac, entre outras 300 autoridades. Nossa região sempre sofreu com derramamento de sangue e conflitos. Agora é o momento de pôr um fim a essa situação. A Bibliotheca Alexandrina foi construída na cidade de Alexandria, às margens do Mediterrâneo, no mesmo local onde, segundo especialistas, erguia-se a antiga biblioteca. A versão moderna do histórico centro de saber abrigará quatro milhões de livros, cem mil manuscritos e 50 mil mapas. Faz parte de seu acervo o único papiro que sobreviveu à destruição da antiga biblioteca. O projeto, que contou com o apoio da Unesco, levou 20 anos para ser concretizado e custou US$ 200 milhões. O prédio que abriga o novo complexo cultural tem proporções faraônicas e é repleto de simbolismos. Projetado por uma empresa da Noruega, o edifício de onze pavimentos tem a forma de um disco inclinado na direção do mar que, segundo os construtores, representa “o nascer do Sol a cada dia para saudar os novos conhecimentos”. No paredão de granito que envolve a biblioteca estão inscritas letras e símbolos de todas as línguas dos mundos moderno e antigo. Centro simboliza união de culturas e religiões As ambições da nova biblioteca não são menos grandiosas que o prédio que a abriga: a exemplo do antigo centro, pretende ser um centro universal de saber e um fórum de debates, além de um símbolo forte da união de culturas e religiões representado por sua herança faraônica, grega, muçulmana e cristã. Numa época de xenofobia e fundamentalismo, a biblioteca clama por racionalidade, diálogo e método científico, afirmou Ismail Serageldin, diretor do centro. A construção do complexo cultural foi marcada por polêmicas. Críticos do projeto alegam que Alexandria não é mais um centro intelectual. Para eles, o dinheiro deveria ter sido gasto para ampliar a infra-estrutura científica do Egito. Eles também acham que discussões sobre religião acabarão proibidas. Um centro de sabedoria No quarto século antes de Cristo, a cidade egípcia de Alexandria, na época sob o domínio dos gregos, se tornou um dos mais importantes centros de ciências, artes, literatura e filosofia do mundo antigo. Foi nesse contexto histórico que o rei Ptolomeu II criou a primeira instituição científica dos tempos antigos, o Mouseion (museu, em latim), e, junto a ele, a biblioteca que ficou conhecida pelo nome da cidade que a abrigava. Embora não existam números precisos, estima-se que em seu apogeu a biblioteca tenha reunido cerca de 700 mil manuscritos. Tradutores e escribas trabalhavam incessantemente fazendo cópias manuscritas de todos os livros que por ventura chegassem à cidade. A primeira tradução do Antigo Testamento para o grego foi feita na biblioteca. A aquisição de originais de livros e trabalhos científicos também era encorajada. Durante séculos, a biblioteca foi considerada o maior centro de conhecimento do mundo. Porém, seis séculos depois de sua fundação, a biblioteca e o Mouseion desapareceram junto com a civilização que os criou. Uma série de incêndios, alguns acidentais, outros provocados por disputas políticas e religiosas, é a causa mais provável da destruição do centro. Moderna Biblioteca da Alexandria – Fotos Fonte: arabesc.multiply.com Nova Biblioteca de Alexandria A Nova Biblioteca de Alexandria A nova biblioteca de Alexandria, que recebe o nome sugestivo de Bibliotheca Alexandrina, foi inaugurada em 16 de outubro de 2002 pelo Presidente da República Arábica do Egito, com a presença de inúmeros chefes de estado e dignatários de todo o mundo. Criada sob a inspiração da antiga Biblioteca de Alexandria, a mais famosa da antiguidade, é uma instituição pública de informação e pesquisa, devendo servir a estudantes e pesquisadores, assim como ao público em geral. A Bibliotheca Alexandrina pretende simbolizar a disseminação do conhecimento entre os diferentes povos e nações do mundo. A UNESCO, organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, se associou à Bibliotheca Alexandrina desde a sua concepção, em meados dos anos 80, ajudando assim a dotar a cidade de Alexandria e toda a região mediterrânea de um importante centro educacional, científico e cultural. Diversos países da cultura árabe e da região mediterrânea contribuíram com a construção e se responsabilizaram com os objetivos da nova Biblioteca. A construção principal tem a forma de um cilindro com 160 metros de diâmetro e com o topo truncado. O telhado em ângulo tem o efeito de minimizar os danos dos ventos marítimos e permite o uso da luz natural. Poderá eventualmente conter até 8 milhões de volumes, com coleções especiais sobre as civilizações mediterrâneas assim como grandes coleções sobre ciência e tecnologia. O complexo da Bibliotheca Alexandrina inclui ainda um Centro de Conferências, um Planetário, uma Escola Internacional de Estudos sobre Informações, Biblioteca para crianças, Biblioteca para cegos, Museu Científico, Museu de Caligrafia e Laboratório de restauração de manuscritos raros. Pequena história da cidade de Alexandria Alexandre o Grande, Rei da Macedônia, conquistou o Egito em 332 a. C. Registram os livros de História que, passando o inverno de 332-331 a. C. na região do delta do Nilo, Alexandre ordenou que fosse ali implantada a nova capital, com a intenção de servir de base naval e de ser o centro da cultura grega no Egito. Junto ao pequeno vilarejo denominado Rhakotis, em frente à ilha de Pharos, foi fundada a nova cidade, que recebeu inicialmente o nome de Neápolis. A construção da cidade foi deixada a cargo do vice-rei Cleomenes e do arquiteto rodhiano Deinócrates. Poucos meses depois Alexandre deixou o Egito, e nunca conheceu em vida a cidade que, em sua homenagem, veio a ser denominada Alexandria. Alexandre morreu em 323 a. C. com a idade de 33 anos, e seu corpo foi levado a Alexandria para ser sepultado. Com a morte de Alexandre o Grande, o império foi repartido entre seus generais, cabendo o Egito a Ptolomeu, parente de Alexandre. Ptolomeu se tornou faraó do Egito e expandiu seu império, iniciando a idade de ouro de Alexandria. Seu sucessor, Ptolomeu II Philadelphus, rei do Egito a partir de 287 a. C., empreendeu grandes construções na capital. Em seguida, a partir de 246 a. C., reinou seu filho Ptolomeu III Euergetes, um grande lider militar e incentivador das ciências. Sob seu reinado Alexandria atingiu o auge em fama e riqueza. Os faraós Ptolomeus empreenderam grandes construções. Uma das mais famosas foi o Farol de Alexandria. Construído na ilha de Pharos, foi considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. O farol serviu de referência para os navegantes por 16 séculos. Foi destruído por uma série de terremotos ocorridos na região, tendo desaparecido definitivamente por volta de 1300. Outras famosas construções da antiga cidade de Alexandria foram o Museu (um instituto de pesquisa em medicina e ciências naturais), a Biblioteca de Alexandria e o Templo de Serápis. Os faraós da dinastia Ptolomaica governaram o Egito até o ano 30 a. C. Os faraós homens chamavam-se Ptolomeus, e o último da dinastia foi Ptolomeu XII. Os faraós mulheres chamavam-se Cleópatras, e o último da dinastia foi Cleópatra VII, filha de Ptolomeu XII. Cleópatra VII foi o último faraó do Egito. Reinou de 51 a. C. até 30 a. C., quando os egípcios perderam a batalha de Actium, no Adriático, para os romanos. O Egito passou a ser dominado pelos Césares. Com o desmembramento do Império Romano no Século V, a cidade de Alexandria passou a fazer parte do Império Bizantino. Em 616 foi tomada pacificamente pelos Persas, e 5 anos depois voltou ao domínio romano. Em 642 os árabes a tomaram pacificamente. Os árabes preferiam a terra ao mar, de modo que mudaram a capital do Egito para a região onde hoje está a cidade do Cairo. A cidade de Alexandria perdeu o apoio governamental e ficou reduzida a uma pequena base naval. Em 1498 os portugueses descobriram um rota marítma para as Índias, acarretando mais um desastre econômico para a cidade. Foi tomada pelos turcos em 1517, e invadida por Napoleão em 1798. No início do Século IX o vice-rei otomano Muhammad Ali Pasha reconstruiu a cidade, iniciando uma nova era. A abertura do canal de Suez em 1869 trouxe grande impulso à cidade, que se tornou um porto privilegiado para o comércio entre a Europa e a Índia. Em 1882 tornou-se parte do Reino Unido, servindo de base naval nas duas grandes guerras. Os britânicos deixaram a cidade em 1946, e o Egito se tornou uma república, hoje República Árabe do Egito. A cidade de Alexandria é hoje a segunda maior cidade do Egito e seu maior porto naval. Duas vistas do Forte de Qaitbey, construído em 1480 pelo Sultão de Qaitbey, provavelmente sobre as fundações do antigo Farol. A Antiga Biblioteca de Alexandria A idéia de Biblioteca como local de conservação e consulta pública de livros era comum a muitas civilizações antigas, no Egito, Síria, Ásia Menor, Mesopotâmia, Pérsia. Eram instituições que tinham como principal objetivo preservar e divulgar a cultura nacional. A Biblioteca de Alexandria se distinguiu por ser um centro universal, aberto ao saber e à pesquisa sem fronteiras. A idéia de uma cultura universal, cosmopolita, cultivada na Grécia, foi trazida para o Egito por Alexandre o Grande, quando da fundação de Alexandria, e por seu parente, o macedônio Ptolomeu I, o primeiro faraó do Egito sob domínio grego. Diz a História que Demétrio de Phaleron incentivou Ptolomeu I a fundar em Alexandria uma academia similar à de Platão. Foram trazidos livros da cidade de Atenas, dando início à antiga biblioteca. Nos reinados dos três primeiros faraós da dinastia Ptolomaica foram construídos a biblioteca, um museu contendo jardins, um parque zoológico com animais exóticos, salas de aula e um observatório astronômico. Parece que de 30 a 50 pesquisadores, vindos de todas as partes do mundo civilizado, participavam do complexo, sustendados inicialmente pela família real, e depois através de fundos públicos. Representação artística da antiga cidade O acervo da biblioteca teve uma grande expansão no reinado de Ptolomeu III, que solicitava livros de todo o mundo para copiar, e utilizava os mais diversos meios para obtê-los. Com isso Alexandria se tornou um grande centro de fabricação e comércio de papiros, e uma legião de trabalhadores se dedicavam a esse mister, ao lado de inúmeros copistas e tradutores. Está registrado na História que o primeiro bibliotecário foi Zenódoto de Éfeso de 284 a 260 a. C. Seu sucessor foi Calímaco de Cirene, de 260 a 240 a. C. Calímaco empreendeu uma catalogação dos livros. Por essa época a biblioteca tinha mais de 500.000 pergaminhos de vários tipos. De 235 a 195 a. C. Eratóstenes de Cirene foi o bibliotecário. Em 195 o posto foi assumido por Aristófanes, que atualizou o catálogo de Calímaco. O último bibliotecário de que se tem notícia foi Aristarco da Samotrácia, o astrônomo, que assumiu o posto em 180 a. C. As datas aqui referidas possivelmente não são de todo exatas. De uma forma ou de outra a biblioteca funcionou até o século IV. Dizem que a biblioteca chegou a ter 700.000 pergaminhos. Era suporte para estudos de diversas áreas do conhecimento, como Filosofia, Matemática, Medicina, Ciências Naturais e Aplicadas, Geografia, Astronomia, Filologia, História, Artes, etc. Os pesquisadores alexandrinos organizavam expedições para aprender mais em outras partes do mundo. Desenvolveram tanto as ciências puras como as aplicadas. Falam-se de inúmeras invenções, como bombas para puxar água, sistemas de engrenagens, odômetros, uso da força do vapor de água, instrumentos musicais, instrumentos para uso na astronomia, construção de espelhos e lentes. A destruição da Antiga Biblioteca de Alexandria é um assunto delicado, pode-se cair em afirmações injustas devido à falta de conhecimento histórico exato. Para mais informações confira as páginas sugeridas abaixo. Existem muitas lendas a respeito, e pouca evidência histórica. Parece que a biblioteca, em função de seu grande acervo, era alocada em diversos prédios espalhados pela cidade. Dizem que as diversas invasões estrangeiras e também lutas internas ocasionaram cada uma perdas parciais. Parte do acervo foi queimado quando da invasão dos romanos em 48 a. C., diz-se que acidentalmente. Como compensação, em 41 a. C. o imperador romano Marco Antonio doou 200.000 pergaminhos à biblioteca, ato talvez não de todo meritório, pois esses pergaminhos foram subtraídos da biblioteca de Pérgamo. Depois de passar por várias vicissitudes semelhantes, conta-se que a biblioteca de Alexandria teria sofrido perdas com a tomada do poder pelos dirigentes cristãos, por volta do ano de 391. A versão de que os árabes terminaram de destruir a biblioteca quando de sua invasão em 642 está em descrédito. Parece que por essa época a biblioteca já não mais existia. Existem muitas lendas sobre os livros da famosa biblioteca e os assuntos que ali se podia ler, a respeito de alquimia, visita de extraterrestres, histórias de civilizações antiquíssimas, registros das mais diversas cosmologias, etc. Alguns autores sustentam que o essencial está a salvo em profundas cavernas em alguns locais ermos do planeta. Estariam resguardados, em algum lugar, os tratados perdidos de Matemática, assim como tantos outros? Parece que tão cedo não saberemos a verdade. Matemáticos ligados à Antiga Biblioteca de Alexandria A Escola de Alexandria está entre as três maiores escolas de Matemática da antiga civilização mediterrânea, ao lado da Escola Pitagórica, que era sediada na cidade de Crotona, Itália, e da Academia de Platão, sediada em Atenas, Grécia. A influência da Escola de Alexandria se estendeu principalmente de 300 a. C. a 400 d. C. Os matemáticos mais conhecidos que estudaram ou lecionaram na antiga Biblioteca de Alexandria foram: Euclides de Alexandria, Eratóstenes de Cirene, Apolônio de Perga, Aristarco de Samos, Hipsicles, Heron de Alexandria, Menelau de Alexandria, Ptolomeu de Alexandria, Diofanto de Alexandria, Papus de Alexandria, Theon de Alexandria, Hipácia de Alexandria e Proclus Diádoco. Indiretamente outros nomes de matemáticos estiveram ligados à Biblioteca de Alexandria, como Arquimedes de Siracusa, que se correspondia com Eratóstenes, e Nicômano de Gerasa. Segue uma pequena biografia de cada um. Euclides de Alexandria. Pouco de sabe sobre sua vida, mas pode-se dizer que morou em Alexandria e ensinou na Biblioteca na segunda metade do Século IV a. C. Sua obra mais conhecida, Os Elementos, foi escrita por volta de 320 a. C. Nessa obra Euclides apresenta o conhecimento matemático de seu tempo sob uma estrutura axiomática. Os Elementos exerceu grande influência científica e pedagógica desde a época de Euclides até o início da Idade Moderna. Euclides de Alexandria conforme a visão artística de Rafael Sanzio em seu afresco Cognitio Causarum. Euclides manuseia um compasso e explica Geometria para alguns estudantes. Eratóstenes de Cirene Passou sua juventude em Atenas, distinguindo-se em Poesia, Astronomia, História, Matemática e Atletismo. Na idade adulta foi chamado a Alexandria por Ptolomeu III para ensinar a seu filho e para ser o bibliotecário da Biblioteca. Sua contribuição mais conhecida em Matemática é o que chamamos hoje de crivo de Eratóstenes. Distinguiu-se ainda em Geografia, e conseguiu um método para medir o raio da Terra. Arquimedes de Siracusa Nasceu por volta de 287 a. C., e morreu em 212 a. C., durante o cerco de Siracusa empreendido pelos romanos. Talvez tenha estudado em Alexandria, mas a maior parte do tempo viveu em Siracusa. Trabalhou em diversos ramos do conhecimento, como em Astronomia, Hidrostática, Ótica, Mecânica, diz-se que inventou diversos engenhos. Em Matemática é considerado um dos grandes gênios, comparando-se a Newton e Gauss. Seus trabalhos marcaram o início do Cálculo Integral. Apolônio de Perga Foi educado em Alexandria por volta de 250 a. C. É considerado o maior geômetra da antiguidade, e sua obra Cônicas teve grande influência no desenvolvimento da Matemática. Aristarco de Samos Astrônomo, propôs o sistema heliocêntrico Calculou as distâncias relativas da Terra à Lua e da Terra ao Sol, assim como o tamanhos da Lua e do Sol em relação ao da Terra. Hipsicles. Viveu por volta de 180 a. C. Astrônomo, contribuiu em Matemática com o estudo da trigonometria, poliedros, números poligonais, progressões e equações. Heron de Alexandria Viveu por volta de 50 d. C. Trabalhou em Mecânica, Ótica e Matemática. Nesta última distinguiu-se pelo aspecto aplicado de suas obras, dentre elas Métrica, que contém exemplos de mensuração de comprimentos, áreas e volumes. Menelau de Alexandria Viveu por volta do ano 100. Sabe-se que escreveu várias obras de trigonometria e geometria, mas a única que se preservou foi Sphaerica. Nessa obra considerou triângulos na esfera e provou, dentre outros resultados, que a soma dos seus ângulos internos é maior do que 180o. Nicômano Viveu por volta do ano 100. Foi um neo-pitagórico, fazendo parte do grupo de filósofos, com centro em Alexandria, que procuravam reviver os ensinamentos de Pitágoras. Sua obra Introdução à Aritmética apresenta uma introdução à Teoria dos Números sob o ponto de vista da filosofia pitagórica. Ptolomeu de Alexandria Viveu por volta de 150, e ensinou em Atenas e em Alexandria. É considerado o maior astrônomo da antiguidade. Sua obra Síntese Matemática, em treze livros, ficou mais tarde conhecida como Almajesto, que significa “o maior”. Nessa obra Ptolomeu desenvolve a trigonometria e apresenta um modelo geocêntrico para o sistema solar, modelo este utilizado por mais de 1300 anos. Ptolomeu de Alexandria conforme a visão artística de Rafael Sanzio em seu afreso Cognitio Causarum. Ptolomeu está de costas, segurando um globo terreste. Confira Escola de Atenas. Diofanto de Alexandria Considerado um dos maiores matemáticos da civilização grega. Dentre outras obras, escreveu Aritmética, que teve grande influência na História da Matemática. Nessa obra Diofanto introduz notação algébrica e estuda equações indeterminadas, hoje chamadas equações diofantinas, em sua homenagem. Papus de Alexandria Viveu por volta do ano 300, e é considerado o último dos grandes geômetras da antiga civilização grega. Sua obra chamada A Coleção continha 8 livros, mas parte se perdeu. O que se conservou nos dá um importante registro da geometria grega e das próprias descobertas de Papus em Matemática, Astronomia, Ótica e Mecânica. Graças à sua propensão para generalizar, Papus chegou perto do princípio fundamental da Geometria Analítica, 1300 anos antes de Descartes e Fermat. Theon de Alexandria Filósofo e matemático, viveu por volta de 365 em Alexandria. Editou Os Elementos de Euclides, edição esta que se preservou e tem grande importância para os historiadores. Escreveu vários tratados científicos, e descreveu um método para calcular raízes quadradas com frações sexagesimais. Hipácia de Alexandria Filha de Theon de Alexandria, era filósofa e matemática. Ensinava na Biblioteca, e escreveu comentários sobre as obras de Diofante, Ptolomeu e Apolônio. Hipácia presidia a escola neo-platônica em Alexandria, e com isso atraiu a inimizade de grupos de fanáticos religiosos, em mãos dos quais morreu martirizada, em 415. A morte de Hipácia marcou o fim de Alexandria como centro científico. Proclus Diádoco Nascido em Bizâncio em 412, morreu em 485. Estudou em Alexandria e ensinou em Atenas, onde se tornou o líder da Escola Platônica em sua época. Diádoco significa Sucessor, cognome aplicado a Proclus possivelmente por ser considerado o sucessor de Platão. Proclus era filósofo e estudioso da Matemática. Seu livro Comentário sobre o Livro I de Os Elementos é muito importante para a História da Matemática, pois ao escrevê-lo Proclus utilizou um exemplar da História da Geometria, de Eudemus, obra hoje desaparecida, assim como um exemplar de Comentários sobre Os Elementos, de Papus, hoje quase todo perdido. Proclus era um escritor prolífico e fez comentários sobre passagens difíceis da obra de Ptolomeu. Fonte: www.dm.ufscar.br Nova Biblioteca de Alexandria A Biblioteca de Alexandria foi uma das maiores bibliotecas do mundo e localizava-se na cidade egípcia de Alexandria. Considera-se que tenha sido fundada no início do século III a.C., durante o reinado de Ptolomeu II do Egipto, depois de o seu pai ter construído o Templo das Musas (Museum). É atribuída a Demétrio de Falero a sua organização inicial. Uma nova biblioteca foi inaugurada em 2003 próxima do sítio da antiga. Estimase que a biblioteca tenha armazenado mais de 400.000 rolos de papiro, podendo ter chegado a 1.000.000. Foi destruída parcialmente inúmeras vezes, até que em 646 foi destruída num incêndio acidental (acreditouse durante toda a Idade Média que tal incêndio tivesse sido causado pelos árabes). Uma nova biblioteca foi inaugurada em 2003 próxima do sítio da antiga. Estimase que a biblioteca tenha armazenado mais de 400.000 rolos de papiro, podendo ter chegado a 1.000.000. Foi destruída parcialmente inúmeras vezes, até que em 646 foi destruída num incêndio acidental (acreditouse durante toda a Idade Média que tal incêndio tivesse sido causado pelos árabes). Diz se que ao ver a cabeça do inimigo César se pôs a chorar. Apaixonandose perdidamente por Cleópatra, César conseguiu colocála no poder através da força. Os tutores do jovem faraó foram mortos, mas um conseguiu escapar. Temendo que o homem pudesse escapar de navio César mandou incendiálos todos, inclusive os seus próprios. O incêndio alastrouse e atingiu uma parte da famosa biblioteca. A instituição da antiga biblioteca de Alexandria tinha como principal objetivo preservar e divulgar a cultura nacional. Continha livros que foram levados de Atenas. Havia também matemáticos ligados à biblioteca, como por exemplo Euclides de Alexandria. A Biblioteca tornouse um grande centro de comércio e fabrico de papiros. A lista dos grandes pensadores que frequentaram a biblioteca e o museu de Alexandria inclui nomes de grandes génios do passado. Importantes obras sobre geometria, trigonometria e astronomia, bem como sobre idiomas, literatura e medicina, são creditadas a eruditos de Alexandria. Segundo a tradição, foi ali que 72 eruditos judeus traduziram as Escrituras Hebraicas para o grego, produzindo assim a famosa Septuaginta. Os grandes nomes da Alexandria antiga Euclides (século IV a.C.): matemático, O pai da geometria e o pioneiro no estudo da óptica. A sua obra “Os Elementos” foi usada como padrão da geometria até o século XIX. Aristarco de Samos (século III a.C.): astrónomo. O primeiro a presumir que os planetas giram em torno do Sol. Usou a trigonometria na tentativa de calcular a distância do Sol e da Lua, e o tamanho deles. Arquimedes (século III a.C.): matemático e inventor. Realizou diversas descobertas e fez os primeiros esforços científicos para determinar o valor do pi (p). Calímaco (c. 305c. 240 a.C.): poeta e bibliotecário grego, compilou o primeiro catálogo da Biblioteca de Alexandria, um marco na história do controle bibliográfico, o que possibilitou a criação da relação oficial (cânone) da literatura grega clássica. O seu catálogo ocupava 120 rolos de papiro. Eratóstenes (século III a.C.): polímata (conhecedor de muitas ciências) e um dos primeiros bibliotecários de Alexandria. Calculou a circunferência da Terra com razoável exatidão. Galeno: médico, (século II d.C.) Os seus 15 livros sobre a ciência da medicina tornaramse padrão por mais de 12 séculos. Hipátia: astrónoma, matemática e filósofa, (século III d.C.) Uma das maiores matemáticas, diretora da Biblioteca de Alexandria, acabou assassinada. Ptolomeu (século II d.C.): astrónomo. Os seus escritos geográficos e astronómicos eram aceites como padrão. A nova biblioteca A atual biblioteca pretende ser um dos centros de conhecimento mais importantes do mundo. A estrutura, que tem o nome oficial de Bibliotheca Alexandrina, integra, para além da principal, quatro bibliotecas especializadas, laboratórios, um planetário, um museu de ciências e um de caligrafia e uma sala de congressos e de exposições. A Biblioteca Tahan Hussein é especializada em cegos e invisuais, a dos Jovens é dedicada a pessoas entre os 12 e os 18 anos, a das Crianças é para quem tem entre 6 e 12 anos, e a Multimédia está dotada com CD, DVD, cassetes áudio e vídeo, diapositivos e fotografias. Há ainda uma sala de microfilmes, uma de manuscritos e outra de livros raros. O prédio principal Inicialmente, a ideia era dotar a biblioteca de oito milhões de livros, mas como foi impossível angariar essa quantidade, ficou pela metade. Assim, foi dada prioridade à criação de uma biblioteca cibernética. No local estão ainda guardados dez mil livros raros, cem mil manuscritos, 300 mil títulos de publicações periódicas, 200 mil cassetes áudio e 50 mil vídeos. No total podem trabalhar na Biblioteca de Alexandria cerca de 3500 investigadores, que têm ao dispor 200 salas de estudo. O telhado de vidro e alumínio tem quase o tamanho de dois campos de futebol. Este teto da biblioteca é um disco com 160 metros de diâmetro reclinado, que parece em parte enterrado no solo. É provido de clarabóias, voltadas para o norte, que iluminam a sala de leitura principal. Os espaços públicos principais ficam no enorme cilindro com o topo truncado, cuja parte inferior desce abaixo do nível do mar. A superfície inclinada e brilhante do telhado começa no subsolo e chega a 30 metros de altura. Olhando à distância, quando a luz do Sol reflete nessa superfície metálica, a construção parece o Sol quando nasce no horizonte. A entrada é pelo Triângulo de Calímaco, uma varanda de vidro triangular, assim chamada em homenagem ao bibliotecário que sistematizou os 500 mil livros da antiga biblioteca. A sala de leitura tem vinte mil metros quadrados e é iluminada uniformemente por luz solar direta. Ao todo a biblioteca tem onze pisos, sete à superfície e quatro subterrâneos, sustentados por 66 colunas de 16 metros cada uma. As paredes sem janelas revestidas a granito que sustentam a parte do círculo que fica à superfície têm incrustados os símbolos utilizados pela Humanidade para comunicar, como os caracteres dos alfabetos, notas musicais, números e símbolos algébricos, códigos das linguagens informáticas, etc.) O projeto da biblioteca é da autoria de uma firma de arquitetos noruegueses, a Snohetta. A construção demorou sete anos, mas a ideia nasceu em 1974. Os principais financiadores da instituição foram a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e o governo egípcio e o custo total da obra rondou os 200 milhões de euros. A reconstrução da famosa Biblioteca de Alexandria resultou numa estrutura de forma incomum. A construção principal da Biblioteca Alexandrina, como agora é oficialmente chamada, parece um gigantesco cilindro inclinado. A ampla fachada do cilindro central, de granito cinza, tem letras de alfabetos antigos e modernos. Dispostas em fileiras, as letras representam apropriadamente as bases fundamentais do conhecimento. A maior parte do interior do cilindro é ocupada por uma sala de leitura aberta, com o piso em vários níveis. No subsolo há espaço suficiente para 8 milhões de volumes. Há também espaços reservados para exposições, salas de conferências, biblioteca para cegos e um planetário — uma estrutura esférica, à parte, que lembra um satélite. Esse prédio moderníssimo inclui ainda sistemas sofisticados de computadores e de combate a incêndios. Uma biblioteca à altura do seu passado A biblioteca reconstruída foi aberta ao público em Outubro de 2002, e contém cerca de 400 mil livros. O seu sofisticado sistema de computadores permite ainda ter acesso a outras bibliotecas. A coleção principal destaca as civilizações do Mediterrâneo oriental. Com espaço para 8 milhões de livros, a Biblioteca de Alexandria procura realçar ainda mais a importância dessa cidade antiga. Fonte: sdi.letras.up.pt Nova Biblioteca de Alexandria A Fênix Ressuscitada A biblioteca é uma espécie de gabinete mágico onde estão encarnados os melhores espíritos da humanidade, mas esperam a nossa palavra para sair da mudez. Muito provavelmente, para um número significativo de leitores de Química Nova na Escola, visitar o Egito povoa o imaginário. É provável que, desde os primeiros estudos da história das civilizações, tenhamos repetido os nomes Queóps, Quefrém e Miquerinos e sonhado com a imponente esfinge. Um outro sonho é a visitação à Biblioteca de Alexandria. Este texto é um convite para conhecer um pouco desse ícone da história do conhecimento. Em 16 de outubro deste ano, foi inaugurada a nova e imponente biblioteca. Alexandria, ou Iskanderiya em árabe, foi fundada por Alexandre Magno, rei da Macedônia há mais de 2.300 anos. Ela foi, na Antigüidade, um pólo florescente onde se destacava um planejamento urbano muito original feito pelo arquiteto Dinócrates. Inicialmente, sua localização era em uma ilha, que gradativamente transformou-se em uma península, ligada ao delta do Nilo por um estreito istmo. Outro destaque era um muito bem planejado porto mediterrâneo, onde havia um famoso farol, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. Esse fora erguido em 279 a.C. Blocos de granito conferiam-lhe a altura de 125 m. Foi derrubado por dois terremotos, nos séculos 11 e 14; suas pedras repousam hoje no fundo do mar. Onde estava o majestoso farol, está hoje a fortaleza do sultão Qaitbey, construída em 1480. Alexandria – na Antigüidade mais rica e importante que Atenas e Antioquia – foi cosmopolita, culta e tolerante. Nela viviam egípcios, gregos, macedônios e romanos. O grego era então a língua dominante. Os gregos edificaram na cidade um fascinante microcosmo de sabedoria, dando a sua gente um caráter saudavelmente inquieto. A capital mediterrânea era o símbolo da cultura, com um complexo científico que foi um pólo difusor do saber e, talvez, o primeiro centro formal de pesquisa da humanidade. Essa concepção de produção organizada do saber pode ser considerada como embrião da cultura monástica medieval e também das universidades que surgiram no mundo ocidental 15 séculos depois. A biblioteca – fundada por Ptolomeu I, chamado Soter (o Protetor), em 288 a.C. – foi organizada sob decisiva influência de Aristóteles, tendo como modelo o clássico gymnasium. O bibliotecário encarregado de sua direção era escolhido diretamente pelo rei – a partir de uma lista de nomes proeminentes nas Artes, Ciências, Filosofia e Literatura – e era um dos postos mais altos e honoríficos do reino. O primeiro bibliotecário foi Demétrio de Falera. A Biblioteca possuía dez grandes salas de investigação e leitura, vários jardins, horto, zoológico, salas de dissecações e observatório astronômico. Era formada por dois edifícios, o bruchium e o serapium (Serapis era o deus da fertilidade), nos quais se encontravam estantes, com nichos para guardar os papiros. Há informações de que chegou a reunir 700 mil rolos de papiro, o que equivaleria a aproximadamente 100-125 mil livros impressos de hoje. Havia no corpo da Biblioteca habitações ocupadas por escribas que copiavam caprichosamente os manuscritos, cobrando segundo o número de linhas produzidas a cada dia. O trabalho dos copistas era então muito valorizado e havia aqueles especializados em línguas das mais distantes regiões da Terra. Ptolomeu III Eugertes (o Benfeitor), em função de necessidades de espaço, construiu uma segunda biblioteca, chamada a Biblioteca Filha, no templo de Serapis. Os faraós Ptolomeus tiveram sempre especial atenção em enriquecer a Biblioteca, adquirindo trabalhos originais e valiosas coleções através de compras ou de cópias. Cada navio que atracava no porto de Alexandria era pesquisado e, se fosse encontrado um livro, este era levado à Biblioteca para ser copiado, sendo que a cópia retornava ao proprietário, sendo seu nome inscrito em um registro, como proprietário do original, que permanecia na Biblioteca. O mesmo ocorria com qualquer viajante que chegasse à Biblioteca com manuscritos originais. De 30 a.C. até o ano 64 houve também uma florescente escola judaica de língua grega que realizava uma simbiose da cultura hebraica com o neoplatonismo e com o gnosticismo oriental. Os judeus alexandrinos traduziram seus livros sagrados para o grego, constituindo a chamada Tradução dos Setenta. Organizar uma lista de intelectuais que legaram importantes contribuições à humanidade a partir de trabalhos e teorizações no complexo científico que existiu junto à Biblioteca é algo extenso. Eis alguns exemplos: Aristarco de Samos, o primeiro a anunciar que a Terra gira ao redor do Sol; Hiparco de Nicéia, o primeiro a medir o ano solar com uma precisão de 6,5 minutos; Erastóstenes, que primeiro mediu a circunferência da Terra e como matemático é conhecido pelo crivo de Erastótenes; Euclides, que escreveu a geometria que ainda usamos hoje; Arquimedes, um dos maiores matemáticos da Antigüidade; Heron, engenheiro mecânico, criador, como Arquimedes, de vários instrumentos revolucionários; Hierófilo, médico e professor, estudioso da anatomia, tendo investigado o cérebro e os sistemas nervoso e circulatório; Galeno, cirurgião grego; Calímaco, poeta que primeiro escreveu um catálogo de livros classificando-os por assuntos e por autor. A esses nomes junta-se o da grande matemática e astrônoma Hipátia (370-415), última bibliotecária da Biblioteca de Alexandria. Ela foi assassinada quando a Biblioteca foi queimada por instigação de monges cristãos, que a identificavam como um centro herético. A Biblioteca e seu complexo de pesquisa foram destruídos parcial ou totalmente em diferentes momentos devido às guerras, à negligência e, especialmente, devido ao medo que têm os poderosos e os déspotas de que o saber, quando extensamente socializado – e essa é a função de uma Biblioteca – possa fazê-los perder o poder. Sua decadência iniciou-se com o domínio romano. O primeiro grande incêndio ocorreu sob o domínio de Júlio César (47 a.C.), durante uma ação militar, na qual os romanos queimaram navios egípcios que estavam atracados próximos e o fogo atingiu a Biblioteca; acredita-se que então tenham se perdido 40 mil obras acumuladas pelos quase três séculos da dinastia ptolomáica. Na era cristã, os imperadores Domiciano, Caracala, Valeriano e Aureliano danificaram o grande patrimônio cultural diversas vezes. A segunda grande destruição foi ordenada pelo imperador cristão Teodósio I (391) e, 150 anos depois, Teodora, esposa de Justiniano, ordenou nova destruição em Alexandria. Em 619, os persas fizeram de Alexandria terra arrasada. Em 641, a capital do Egito é transferida para onde hoje é a cidade do Cairo; termina o prestígio político de Alexandria. Hoje, Alexandria – a segunda cidade do Egito – tem cerca de 4 milhões de habitantes. Ao longo da muito extensa cornija que bordeja duas lindas baías mediterrâneas, existem edifícios modernos e imponentes. O mar verde-azulado é coalhado de embarcações de passeio que se misturam com pequenos barcos pesqueiros. Revoadas de aves marítimas enfeitam a paisagem. Mas, parece que se sente ainda forte o magnetismo daquilo que a cidade representou no passado nas muitas imponentes mesquitas, na catedral copta e nas edificações greco-romanas. Quando se faz a primeira circulada pela orla, logo aparece, imponente, a Biblioteca Alexandrina, que ressurge qual Fênix, quase 1.400 anos depois. O primeiro destaque é um brilhante telhado circular, de 160 metros de diâmetro. O telhado de aço e alumínio parece estar pronunciadamente inclinado sobre o Mediterrâneo, como um manto protetor contra o vento e a umidade; também contra o fogo, já que na primeira destruição esse veio do mar. Esse disco está parcialmente submergido em um magnífico espelho d’água, que parece não ter limites. O disco recorda o deus solar Rá, lembrando que uma biblioteca deve iluminar, como o Sol, toda a humanidade. Um alto muro, revestido de granito cinza de Assuã, com quatro mil caracteres em baixo-relevo com notas musicais, símbolos matemáticos e letras de línguas que existiram e existem em todo o mundo, recorda a outra biblioteca, que foi o farol cultural da Antigüidade. Se uma das faces da moderna Biblioteca Alexandrina está voltada para o Mediterrâneo, aquela que lhe é oposta está junto ao campus da Universidade de Alexandria, que tem cerca de 70 mil estudantes, os maiores beneficiados com a riqueza que passam a ter à disposição. A propósito, há a intenção de envolver fortemente a população alexandrina no uso do acervo, sendo que existem setores especializados por faixas etárias e o público jovem é uma população para a qual estão dirigidas muitas promoções na Biblioteca. Diferentes vistas da Biblioteca, com o Meditarrâneo ao fundo. O alto muro, revistido de granito cinza de Assuã, contém 4.000 caracteres em baixo-relevo com notas musicais, símbolos matemáticos e letras de línguas que existiram e existem em todo o mundo. Não é fácil fazer uma descrição do imponente complexo arquitetônico, que tem uma área total de 84.405 m2. Destes, 37 mil são exclusivos para a Biblioteca; os demais destinam-se a Centro Cultural, Museu de Ciências, Museu Arqueológico e Museu de Manuscritos – com mais de oito mil documentos de grande valor -, laboratórios de restauração, um moderno planetário construído pela França e outros serviços técnicos. Há uma grande sala de leitura, com cerca de 20 mil m2, distribuídos em 11 níveis distintos; destes, sete estão acima da superfície e quatro são subterrâneos, todos dotados de ar condicionado e de uma alta tecnologia relacionada à informática. Nesses pavimentos, o acervo bibliográfico (hoje são 200 mil livros, mas há capacidade para 8 milhões) está distribuído por temas, em função da classificação internacional. Cerca de 2 mil leitores podem usar simultaneamente as salas. Também são possíveis consultas pela Internet. Algo que chama a atenção é a segurança. São particularmente impressionantes as preocupações com o fogo: as tragédias anteriores não podem ser repetidas. Há inúmeros chuveiros, que serão acionados automaticamente caso haja elevação súbita de temperatura ou sinais de fumaças. Há também uma série de cortinas corta-fogo, que podem isolar instantaneamente diferentes setores. Há, porém, aqueles que criticam a nova Alexandria, dizendo que a renovação da cidade é apenas cosmética, com as fachadas pintadas externamente, o lixo recolhido apenas nas ruas centrais e as praias limpas apenas para impressionar aos turistas. Até os anos 70 do século passado, a Biblioteca Alexandrina era apenas uma reminiscência de passado distante, com marcas dolorosas de destruição devida às discórdias entre povos e religiões. A publicação do livro A antiga Biblioteca Alexandrina: vida e destino, pelo historiador egípcio Mustafá El-Abadi, revolucionou a consciência e trouxe à cidade e ao país o desejo de recuperar para Alexandria aquilo que ela uma vez significou. Com a liderança da Universidade de Alexandria, em 1974, desencadeou- se um processo internacional. Em 1989, a UNESCO lançou um concurso público internacional para a concepção do projeto e a construção da Biblioteca. Em 1990, foi assinada a Declaração de Assuã para a recuperação da instituição. O arquiteto norueguês Ktejil Thorsen, do prestigiado escritório Snohetta, com sede na Noruega, obteve o primeiro lugar, competindo com 524 propostas de 52 países. Em 1995, foi colocada a primeira pedra da imponente construção. Uma vez mais, trabalhadores anônimos, como ocorrera há mais de 4 mil anos com a construção das pirâmides, fizeram algo monumental. O custo total da obra foi de algo em torno de US$ 220 milhões. O Egito pagou US$ 120 milhões e outros países doaram cerca de US$ 100 milhões, dos quais 65 milhões vieram de países árabes (os grandes produtores de petróleo do Golfo) e o restante de 27 outros países. É importante referir que houve muita polêmica interna acerca de um investimento tão vultoso, especialmente se considerada a miséria que há no país. Outra vez parece que são os governantes que querem deixar nas obras imponentes seu nome. O personalismo do presidente Mubaraki e de sua mulher Suzanne foram decisivos nesta obra, para a qual, com adequação, cabe o adjetivo faraônica, especialmente em um Egito onde a grande maioria da população luta para conseguir um prato de comida. Hoje, a Biblioteca Alexandrina é ainda uma imensa casca vazia, ou semivazia. Ela está recebendo doações de todas as partes do mundo. Há muitas críticas por uma não existência de critérios para receber as doações, chegando assim muito material de valor discutível. Parece que, inicialmente, o único critério era que os livros não ofendessem a sensibilidade dos fanáticos islamitas egípcios. Assim, era fácil imaginar a não aceitação de obras da Detalhe do muro com caracteres em baixorelevo. História da humanidade que falassem em sexo ou que duvidassem da existência e da unicidade de Deus. Poderá ser muito difícil encher as imensas prateleiras. Todavia, na grande sala de leituras já se exibe, entre outros, um papiro do Museu Egípcio de Turim, uma coleção de livros em miniatura de grandes autores russos editada em Moscou, um fac-símile de manuscritos da Bíblia do século IV e duas cópias do Corão: uma de 1212, originária do Marrocos, e outra de 1238. Maquete da nova Biblioteca. Ismail Sarageldin, um ex-vice-presidente do Banco Mundial e atual diretor da Biblioteca, nomeado, em função das críticas que se fazia à acumulação de livros sem critérios, pelo presidente Mubarak, a quem funcionalmente está ligado diretamente, diz: “Temos a máxima liberdade para colecionar livros, do mesmo modo que o Vaticano guarda textos que foram queimados pela Igreja Católica. Se os fundamentalistas condenam os Versos satânicos de Salmon Rushdie, qual o melhor lugar para encontrar, ler e julgar este texto que a Biblioteca Alexandrina?”. Há quatro grandes metas almejadas para a Biblioteca Alexandrina: a) Uma janela do Egito no mundo – para ensejar que se conheça a muito rica e vasta história do Egito durante diferentes eras, disponibilizando grande quantidade de materiais por meio de modernos meios para acessá-los; b) Uma janela do mundo no Egito – a biblioteca quer ser a oportunidade dos egípcios conhecerem outras civilizações do mundo; c) Uma biblioteca na idade digital – que deseja integrar- se com a revolução das informações, associando-se a diferentes agências internacionais congêneres; e d) Um centro de diálogo e debate – onde ocorram de maneira permanente seminários para celebrar o diálogo entre civilizações. Estas são metas oficiais, que uma vez mais recebem muitas críticas internas, centradas em uma pergunta: poderá a nova Biblioteca Alexandrina mudar o curso da história egípcia? Sonha- se que ela possa recriar o espírito e revitalizar uma das funções da velha Biblioteca, como ponte de diálogo entre o Norte e o Sul e entre o Oriente e o Ocidente. O objetivo cada vez mais vital é realmente restabelecer o fragilizado diálogo entre duas culturas, nas quais existem segmentos que se votam ódios figadais. Este diálogo, às vezes, parece muito distante, pois até houve necessidade, por uma questão de segurança, de postergar a inauguração da Biblioteca, prevista para 23 de abril, Dia Internacional do Livro. Parece importante referir que a construção da nova Biblioteca ocorreu em um momento em que a censura à criação literária e artística no Egito se acentua. São constantes os processos contra jornalistas e cineastas. Um dos exemplos mais sangrentos foi a perseguição, na primavera de 2000, ao escritor sírio Hayder Hayder, em função da publicação do livro Banquete de algas. Não é sem razão que o mais importante escritor egípcio atual, Naguib Mahfuz, tem de viver os últimos dias de sua vida encerrado em casa, para não ser objeto de um novo atentado de fanáticos islâmicos. Há mais de 20 séculos o clima era mais liberal no vale do Nilo e especialmente Alexandria era, então, apontada como exemplo de experiências multiculturais, pela convivência muito pacífica de raças e credos. O Egito tem no turismo a sua segunda fonte de divisas e, hoje, há diferentes segmentos turísticos: arte e grandes monumentos, o mais antigo e exuberante; ecoturismo, que inclui praias (muitos europeus vêm às praias mediterrâneas e àquelas do Mar Vermelho) e esportes aquáticos; turismo religioso, com a chamada rota da Sagrada Família, que está sendo potencializado. Agora, há a esperança que intelectuais acorram à Biblioteca Alexandrina para pesquisas. Muito provavelmente, Hipátia, cujo martírio esteve ligado à própria destruição de seu local de trabalho, ficaria feliz em ver – como hoje nós vemos – sua biblioteca, agora tão imponente. Muito provavelmente os leitores de Química Nova na Escola sonham poder usufruir algum dia mais plenamente a Biblioteca de Alexandria. É muito gostoso embalar sonhos e este é um muito especial.

A história da grande Biblioteca Chamada de A grande Biblioteca para distinguí-la da pequena biblioteca de Serapis, foi inaugurada por Ptolomeu Sóter II (309-247 a. C.), o Filadelfo, segundo rei (282-247 a. C.) dessa dinastia, com o propósito de firmar a manutenção da civilizacão grega no interior da conservadora civilizacão egípcia. Provavelmente idealizada a partir da chegada de Demétrio Falero (350-283 a. C.), levado a Alexandria (295 a. C.) para este fim e atendendo a um projeto elaborado por Ptolomeu Sóter I (367-283 a. C.) cuja obra ficou completa com a construção de sua conexão com o Museu, a obra máxima de seu sucesor, Ptolomeu Filadelfo. Como Estrabão (63 a. C. -24) não fez menção da biblioteca em sua descrição dos edificios do porto, possivelmente se encontrava em outra parte da cidade, além do mais, sua conexão com o Museu, parece localizá-la no Brucheião, a noroeste da cidade. A formação do acervo foi constituída de várias formas, segundo muitos relatos tradicionais para aquisição dos livros, geralmente na forma de rolos. Por exemplo, os barcos que entravam no porto eram forçados a entregar algum manuscrito que transportavam. A rivalidade entre Alexandría e Pérgamo chegou em tal nível que a exportação de papiro foi proibida com o fim de perjudicar a cidade italiana. Esta rivalidade levou ao desenvolvimento de envelhecimento artificial de papiros para falsificação de cópias como originais, para aumento do acervo. Demétrio Falero (350-283 a. C.) mencionou o número de 200.000 rolos de papiro, para uma meta de 500.000. Calímaco (294-224 a. C.) criador do primeiro catálogo sistematizado da biblioteca, os Pinakes, contabilizou em 490.000 rollos e, mais tarde, Aulo Gélio (120-175) e Amiano Marcelio ( 330 – 395) em 700.000 rollos. Paolo Orósio ( 370-417), por outro lado, mencionou 400.000. João Tzetzes (1110-1181), comentarista bizantino, concluiu que o acervo estaria dividido, com 42.800 manuscritos em Serapis e 490.000 no Museu. Autores modernos falam em milhões de originais. Depois da catalogação das obras por Calímaco e Apolônio de Rodes, o primeiro bibliotecário de fato (234 a.C.) foi Zenódoto (325-234 a. C.), seguido (234-194 a. C.) por Eratóstenes (276-194 a. C.), (194-180 a. C.) Aristófanes de Bizâncio (257-180 a. C.) e (180-131 a.C.) Aristarco de Samotrácia (217-131a. C.), todos nomes de famosos estudiosos daquele período da civilização. A inclusão nesta lista do gramático Calímaco (294-224 a. C.) e do gramático e poeta épico Apolônio de Rodes (295-215 a. C.) é pouco convincente e parece cronologicamente impossível, a não ser como colaboradores iniciais na fundação da instituição e organização do acervo inicial. O trabalho dos bibliotecários consistiu na clasificacão, catalogação e edição das obras da literatura grega e exerceram uma profunda e permanente influência não só pela forma dos livros, de suas subdivisões e sua disposição, como também pela transmissão de textos em todas as fases da história da literatura. Depois de Aristarco a importância da biblioteca decaiu. Júlio César (100-44 a. C.) viu-se impelido (47 a. C.) a queimar sua frota para impedir que caísse em mãos dos Egípcios. O fogo se extendeu aos documentos e o arsenal naval e acredita-se destruiu cerca de 400.000 rolos de papiros. É mais provável, segundo o relato de Orósio, que isto não ocorreu na próprio biblioteca, e sim, depois que os rolos tivessem sido transportados de lá para porto para serem embarcardos para Roma. Sêneca (4 a. C.-65) e Aulo Gélio (120-175) também escreveram sobre essa ocorrência, porém só da queima dos manuscritos, este último apresentando-a como completa. Menos cuidadosamente os historiadores Plutarco (46-119)  e Dio Cássio escreveram sobre a queima da biblioteca, porém o assunto não foi tratado pelos historiadores Cícero (106-43 a. C.) nem por Estrabão (63 a. C.-24). O prejuízo foi parcialmente reparado (41 a. C.) por Marco Antônio (83-30 a. C.) e Cleópatra VII (69-30 a. C.), com o aporte de 200.000 volumes provenientes da biblioteca de Pérgamo. Sob o imperador romano Aureliano (215-275), uma grande parte do Brucheion foi destruída (272) e é possível que a biblioteca tenha desaparecido nessa época. A mais generalizada versão da destruição da biblioteca é a que aconteceu quando Alexandria foi capturada pelos muçulmanos (642), que sob o argumento de que os escritos gregos não eram necesários e não necessitavam ser preservados, porque estavam em desacordo com os ensinamentos de Alá e, portanto, eram perniciosos e deveriam ser destruídos. A versão de que teriam sido usados como lenha, hoje está descartada, pois o gesto não seria coerente com os costumes muçulmanos e, além disso, segundo alguns historiadores essa versão ganhou corpo cerca de um século depois da captura da cidade, aumentando as possibilidades de que a monumental biblioteca tenha sido destruída muito antes da invasão muçulmana. Segundo a lenda, no entanto, a biblioteca foi destruída pelo fogo em três ocasiões, sendo a primeira (272) por ordem do imperador romano Aureliano (215-275), depois (391), quando o imperador Teodósio I (347-395) arrasou-a, juntamente com outros edifícios pagãos, e finalmente (640) pelos muçulmanos, sob a chefia do califa Omar I (581-644). Saliente-se ainda que existe uma suposição de que a pequena biblioteca de Serapis, com pouco mais de 40 mil volumes, foi destruída quando o Templo de Serapis foi demolido (391) por ordem do cristão radical Teófilo (335-412), nomeado (385) patriarca de Alexandria, durante sua violenta campanha de destruição de todos os templos e santuários não-cristãos daquela cidade, com o apoio do imperador FlávioTeodósio (347-395), após a proclamação (380) do Cristianismo como Religião do Estado. Essa loucura destruidora já teria sido responsável, então, pela demolição dos templos de Mitríade e de Dionísio, porém não há uma informação definitiva dos acontecimentos em relação à biblioteca. Saliente-se ainda que Hipatia (370-415), a última grande matemática da Escola de Alexandria, a bela filha de Téon de Alexandria (335-395), foi assassinada por uma multidão de monges cristãos, incitada por Cirilo (376-444), sobrinho e e sucessor de Teófilo como patriarca de Alexandria, que depois seria canonizado pela Igreja Católica. Após o seu assassinato, numerosos pesquisadores e filósofos trocaram Alexandria pela Índia e pela Pérsia, e a cidade deixou de ser o grande centro de ensino das ciências do Mundo Antigo. Fonte: www.dec.ufcg.edu.br Biblioteca de Alexandria A Biblioteca de Alexandria “A superstição é uma covardia face ao divino”, escreveu Teofrasto, que viveu no tempo da Biblioteca de Alexandria. Habitamos num universo no qual os átomos são produzidos no centro das estrelas; no qual em cada segundo nascem um milhar de sóis, no qual a luz do sol e os relâmpagos fazem surgir a faísca da vida no ar e na água dos planetas mais novos; no qual o material de base da evolução biológica resulta por vezes da explosão de uma estrela no meio da Via Láctea; no qual uma coisa tão bela como uma galáxia se formou cem mil milhões de vezes – um cosmos de quasares e quarks, de flocos de neve e pirilampos, onde talvez existam buracos negros e outros universos e civilizações extraterrestres cujas mensagens de rádio chegam neste momento à Terra. Em comparação com isto, quão pobre são as pretensões da superstição e da pseudociência; quão importante é para nós continuar esse esforço que caracteriza o homem: a prossecução e a compreensão da natureza. Cada aspecto da natureza revela um profundo mistério e acorda em nós um sentimento de respeito e deslumbramento. Teofrasto tinha razão. Quem receia o universo tal como é, quem se recusa a acreditar no conhecimento e idealiza um cosmos centrado nos seres humanos prefere o conforto efêmero das superstições. Prefere evitar o mundo a enfrentá-lo. Mas quem tem a coragem de explorar a estrutura e textura do cosmos, mesmo quando este difere acentuadamente de seus desejos e preconceitos, irá penetrar profundamente nos seus mistérios. Não há na Terra outras espécies que tenham alcançado a ciência, que continua a ser uma invenção humana, produzida por uma espécie de seleção natural ao nível do córtice cerebral, e isto por uma razão muito simples: produz bons resultados. Sem dúvida que a ciência não é perfeita e pode ser mal utilizada, mas é de longe o melhor instrumento que temos, que se corrige a si próprio, que progride sem cessar, que se aplica a tudo. Obedece a duas regras fundamentais: primeiro, não existem verdades sagradas, todas as asserções devem ser cuidadosamente examinadas com espírito crítico, os argumentos de autoridade não têm valor; segundo, tudo o que estiver em contradição com os fatos tem de ser afastado ou revisto. Temos de entender o cosmos como ele é e não confundir aquilo que é com aquilo que gostaríamos que fosse. Por vezes, o óbvio está errado e o insólito é verdadeiro. Num contexto alargado, todos os seres humanos partilham as mesmas aspirações. E o estudo do cosmos fornece o contexto mais alargado possível. A atual cultura mundial é uma espécie de arrogante novidade; chegou à cena planetária depois de 4 mil e 500 milhões de anos e, depois de ter passado os olhos em redor durante uns milhares de anos, declarou-se detentora de verdades eternas. Mas num mundo em tão rápida mudança como o nosso, tal atitude é o caminho certo para o desastre. Nenhuma nação, nenhuma religião, nenhum sistema econômico, nenhum corpo de conhecimento pode oferecer todas as respostas quando está em jogo a nossa sobrevivência. Devem certamente existir sistemas que funcionem muito melhor do que qualquer um dos que temos. Conforme a boa tradição científica, a nossa tarefa é descobri-los. Uma vez já, na nossa história, houve a promessa de uma brilhante civilização científica. Resultante do grande acordar jônico, a Biblioteca de Alexandria era, há dois mil anos, uma cidadela onde os melhores intelectos da antiguidade estabeleceram os fundamentos para o estudo sistemático da matemática, da física, da biologia, da astronomia, da literatura, da geografia e da medicina. Ainda hoje edificamos sobre essas bases. A biblioteca foi construída e financiada pelos Ptolomeus, os reis gregos que herdaram a parte egípcia do império de Alexandre o Grande. Desde a época da sua fundação, no terceiro século antes de Cristo, até a sua destruição sete séculos depois, foi o cérebro e o coração do mundo antigo. Alexandria era a capital editorial do planeta. É claro que na altura não existia a imprensa. Os livros eram caros; cada exemplar tinha de ser copiado à mão. A biblioteca era o repositório das melhores cópias do mundo. Foi ali inventada a arte da edição crítica. O Antigo Testamento chegou-nos diretamente das traduções gregas feitas na Biblioteca de Alexandria. Os Ptolomeus usaram muita da sua enorme riqueza na aquisição de todos os livros gregos, assim como dos trabalhos originários da África, da Pérsia, da Índia, de Israel e de outras regiões do mundo. Ptolomeu III Evergeto tentou pedir em empréstimo a Atenas os manuscritos originais ou as cópias oficiais das grandes tragédias de Sófocles, Esquilo e Eurípedes. Para os atenienses, esses textos eram uma espécie de patrimônio cultural – um pouco como, para a Inglaterra, os manuscritos ou as primeiras edições das obras de Shakespeare; por isso, mostraram-se reticentes em deixar os manuscritos sair das suas mãos por um instante que fosse. Só aceitaram ceder as peças depois de Ptolomeu ter assegurado a devolução através de um enorme depósito em dinheiro. Mas Ptolomeu dava mais valor a esses manuscritos do que ao ouro ou à prata. Preferiu por conseguinte perder a caução e conservar, o melhor possível, os originais na sua biblioteca. Os atenienses, ultrajados, tiveram de se contentar com as cópias que Ptolomeu, pouco envergonhado, lhes deu. Raramente se viu um estado encorajar a busca da ciência com tal avidez. Os Ptolomeus não se limitaram a acumular conhecimentos adquiridos; encorajaram e financiaram a investigação científica e deste modo geraram novos conhecimentos. Os resultados foram espantosos: Erastóstenes calculou com precisão o tamanho da Terra, traçou o seu mapa, e defendeu que se podia atingir a Índia viajando para oeste a partir de Espanha; Hiparco adivinhou que as estrelas nascem, deslocam-se lentamente ao longo de séculos e acabam por morrer; foi o primeiro a elaborar um catálogo indicando a posição e magnitude das estrelas de modo a poder detectar essas mudanças. Euclides redigiu um tratado de geometria com base no qual os seres humanos aprenderam durante vinte e três séculos, trabalho que iria contribuir para despertar o interesse científico de Kepler, Newton e Einstein; os escritos de Galeno acerca da medicina e da anatomia dominaram as ciências médicas até ao renascimento. E muitos outros exemplos, já apontados neste livro. Alexandria era a maior cidade que o mundo ocidental já conhecera. Pessoas de todas as nações iam até lá para viver, fazer comércio, estudar; todos os dias chegavam aos seus portos mercadores, professores e alunos, turistas. Era uma cidade em que os gregos, egípcios, árabes, sírios, hebreus, persas, núbios, fenícios, italianos, gauleses e iberos trocavam mercadorias e ideias. Foi provavelmente aí que a palavra “cosmopolita” atingiu o seu mais verdadeiro sentido – cidadão, não apenas de uma nação, mas do cosmos. (A palavra “cosmopolita” foi inventada por Diógenes, o filósofo racionalista crítico de Platão.) Estavam certamente aqui as raízes do mundo moderno. Que foi que os impediu de crescer e florescer? Por que razão o ocidente adormeceu para só acordar um milhar de anos depois, quando Colombo, Copérnico e os seus contemporâneos redescobriram o mundo criado em Alexandria? Não me é possível dar uma resposta simples, mas sei pelo menos o seguinte: não há registro, em toda a história da biblioteca, de que qualquer um dos seus ilustres cientistas e estudiosos tivesse alguma vez desafiado a sério os princípios políticos, econômicos e religiosos da sua sociedade… A permanência das estrelas era posta em dúvida, mas não a da escravatura. A ciência e a sabedoria em geral eram domínio de alguns privilegiados, a vasta população da cidade não tinha a mais leve noção do que se passava dentro da biblioteca, ninguém lhe explicava nem divulgava as novas descobertas, para ela a investigação tinha utilidade quase nula. As descobertas nos campos da mecânica e da tecnologia do vapor eram sobretudo aplicadas no aperfeiçoamento de armas, no encorajar das superstições e no entretenimento dos reis. Os cientistas nunca se deram conta do potencial de libertação dos homens que as máquinas continham. (À única exceção de Arquimedes, que enquanto esteve na Biblioteca de Alexandria inventou o parafuso de água, ainda hoje utilizado no Egito para a irrigação dos campos. Mas mesmo assim considerava que esses mecanismos engenhosos tinham pouco a ver com a dignidade da ciência.) As grandes realizações intelectuais da antiguidade tiveram poucas aplicações imediatas: a ciência nunca cativou a imaginação das massas. Não havia contrapeso para a estagnação, o pessimismo, e a mais vil submissão ao misticismo. E quando por fim a populaça veio incendiar a biblioteca, não houve ninguém que a impedisse de o fazer. O último cientista a trabalhar na biblioteca foi… uma mulher. Distinguiu-se na matemática, na astronomia, na física e foi ainda responsável pela escola de filosofia neoplatônica – uma extraordinária diversificação de atividades para qualquer pessoa da época. O seu nome, Hipácia. Nasceu em Alexandria em 370. Numa época em que as mulheres tinham poucas oportunidades e eram tratadas como objetos, Hipácia movia-se livremente e sem problemas nos domínios que pertenciam tradicionalmente aos homens. Segundo todos os testemunhos, era de grande beleza. Tinha muitos pretendentes, mas rejeitou todas as propostas de casamento. A Alexandria do tempo de Hipácia – então desde há muito sob o domínio romano – era uma cidade em que se vivia sob grande pressão. A escravatura tinha retirado à civilização clássica a sua vitalidade, a igreja cristã consolidava-se e tentava eliminar a influência e a cultura pagãs. Hipácia encontrava-se no meio dessas poderosas forças sociais. Cirilo, o arcebispo de Alexandria, desprezava-a por causa da sua relação estreita com o governador romano, e porque ela era um símbolo da sabedoria e da ciência, que a igreja nascente identificava com o paganismo. Apesar do grande perigo que corria, continuou a ensinar e a publicar até que no ano de 415, a caminho do seu trabalho, foi atacada por um grupo de fanáticos partidários do arcebispo Cirilo. Arrastaram-na para fora do carro, arrancaram-lhe as roupas e, com conchas de abalone, separaram-lhe a carne dos ossos. Os seus restos foram queimados, os seus trabalhos destruídos, o seu nome esquecido. Cirilo foi santificado. A glória da Biblioteca de Alexandria é agora apenas uma vaga recordação. T udo aquilo que dela restava foi destruído logo a seguir à morte de Hipácia. Foi como se a civilização inteira tivesse efetuado uma lobotomia a si mesma, e grande parte dos seus laços com o passado, das suas descobertas, das suas ideias e das suas paixões extinguiram-se para sempre. A perda foi incalculável. Em alguns casos, apenas conhecemos os aliciantes títulos das obras então destruídas, mas, na sua maioria, não conhecemos nem os títulos nem os autores. Sabemos que das 123 peças de teatro de Sófocles existentes na biblioteca, só sete sobreviveram. Uma delas é o Édipo Rei. Os mesmos números aplicam-se às obras de Ésquilo e Eurípedes. É um pouco como se os únicos trabalhos sobreviventes de um homem chamado William Shakespeare fossem Coriolano e O Conto de Inverno, mas sabendo nós que ele escrevera outras peças, hoje desconhecidas embora aparentemente apreciadas na época, obras chamadas Hamlet, Macbeth, Júlio César, Rei Lear, Romeu e Julieta… Fonte: www.ateus.net Biblioteca de Alexandria A Biblioteca de Alexandria, o coração da humanidade Durante uns sete séculos, entre os anos de 280 a.C. a 416, a biblioteca de Alexandria reuniu o maior acervo de cultura e ciência que existiu na antigüidade. Ela não contentou-se em ser apenas um enorme depósito de rolos de papiro e de livros, mas por igual tornou-se uma fonte de instigação a que os homens de ciência e de letras desbravassem o mundo do conhecimento e das emoções, deixando assim um notável legado para o desenvolvimento geral da humanidade. Fundando uma biblioteca Fascinada por leituras, a jovem princesa Cleópatra visitava quase que diariamente a grande biblioteca da cidade de Alexandria. Mesmo quando César ocupou a maior parte da cidade, no ano de 48 a.C., ela, sua amante e protegida, o fazia acompanhá-la na busca de novas narrativas. O conquistador romano, também um homem de letras, um historiador, ficara impressionado com a desenvoltura cultural dela. Acoplada ao Museu, mandando construir pelo seu ilustre antepassado e fundador da dinastia, o rei do Egito Ptolomeu I Sóter (o Salvador), que reinou de 305 a 283 a.C. , a biblioteca tornara-se, até aquela época, o maior referencial cientifico e cultural do Mundo Antigo (*). Tudo indica que o erguimento daquele magnífico edifício no bairro do Bruquéion, nas proximidades do palácio real, deveu-se a insistência de Demétrio de Falério, um talentoso filósofo exilado que encheu os ouvidos de Ptolomeu para que ele tornasse Alexandria uma rival cultural de Atenas. Mudar o Egito Quem realmente levou a tarefa adiante foi o sucessor dele, Ptolomeu Filadelfo (o amado da irmã) que, além de ter erguido o famoso farol na ilha de Faro e aberto um canal que ligava o rio Nilo ao Delta, , logo percebeu as implicações políticas de fazer do Museu e da Biblioteca um poderoso enclave da cultura grega naquela parte do mundo. A nova dinastia de origem grega, chamada dos Lágidas (*), que passara a governar o país dos faraós, ao tempo em que se afirmava no poder, desejou também transformá-lo. Desencravando o trono real da cidade de Mênfis, situada nas margens do rio Nilo, no interior, transferindo-o para Alexandria, nas beiras do mar Mediterrâneo, a nova capital tinha a função de arrancar o milenaríssimo reino do sarcófago em que o enterraram por séculos, abrindo-lhe a cripta para que novos ares adentrassem. Sarcófago real em Mênfis Fazer com que o povo, ou pelo menos sua elite, se livrasse de ser tiranizados por sacerdotes e mágicos de ocasião que infestavam o pais. Gente que só pensava em viver num outro mundo, o do Além, e como seriam sepultados. Era o momento deles darem um basta ao Vale dos Mortos e celebrar os hinos à vida, exaltada pela cultura helenística. Mesmo os horrores de uma tragédia de Ésquilo ou Sófocles tinham mais emoção e paixão do que o soturno Livro dos Mortos. Era a hora das múmias e dos embalsamadores cederem o seu lugar aos sátiros e aos cientistas, de pararem de adorar o Boi Apis e se convertessem ao culto dos deuses antropomórficos. Filadelfo, porém, que era um entusiasta da ciência, num ato sincrético, fundindo costumes gregos com egípcios, resolveu reintroduzir o antigo cerimonial existente entre as dinastias do país do faraó esposar a própria irmã, tornando a princesa Arsinoe II a sua mulher. Dizem que um outro Ptolomeu, dito Evergetes (o Benfeitor), morto em 221 a.C., ficou tão obsecado em aumentar o acervo da biblioteca que teria ordenado a apreensão de qualquer livro trazido por um estrangeiro, o qual era imediatamente levado aos escribas que então tiravam uma cópia, devolvendo depois o original ao dono, premiado com 15 talentos. Por essa altura, entre os séculos II e I a.C., Alexandria , que fora fundada por Alexandre o Grande em 332 a.C., assumira, com todos os méritos, ser a capital do mundo helenistico. Centro cosmopolita, por suas ruas, praças e mercados, circulavam gregos, judeus, assírios, sírios, persas, árabes, babilônios, romanos, cartagineses, gauleses, iberos, e de tantas outras nações. A efervescência dai resultante, é que fez com que ela se tornasse um espécie de Paris ou de Nova Iorque daquela época, cuja ênfase maior foi porém a ciência e a filosofia. (*) Os Lágidas ou Ptolomeus, governaram o Egito a partir da partilha feita entre os Diadochoi, os diádocos, os generais de Alexandre o Grande, quando da morte deste em 323 a.C. Coube ao primeiro Ptolomeu, autodesignado Sóter (o Salvador), tornar-se rei do Egito no ano de 305 a.C., iniciando uma dinastia que teve 14 Ptolomeus e 7 Cleópatras. A última rainha do Egito foi Cleópatra VII, que suicidou-se em 30 a.C. , ocasião em que o país caiu sobre a dominação romana de Otávio Augusto. A Biblioteca de Alexandria, o coração da humanidade O bibliotecário-chefe Para qualquer intelectual grego ser convidado para o cargo de bibliotecário-chefe em Alexandria era atingir o Olimpo. Cercado por milhares de manuscritos, quase tudo o que a sabedoria antiga produzira sobre matemáticas, astronomia, mecânica e medicina, ele sentia-se como se fosse um Zeus todo-poderoso controlando as letras, os números e as artes. Conviver com rolos e mais rolos, bem organizados e classificados por assuntos, dos escritos de Platão, de Aristóteles, de Zenão, de Euclides, de Homero, de Demóstenes, de Isócrates, de Xenofonte, de Píndaro, de Tucidides, de Safo, e de tantos outros, era um deleite permanente (*). Ao que se somava a Septuagint, os 70 manuscritos que continham a tradução do Pentateuco, o Velho Testamento hebraico para o grego, feito por 72 sábios judeus convidados por Ptolomeu Filadelfo para realizar o feito em Alexandria. As atribuições do bibliotecário-chefe transcendiam as funções habituais, pois eles eram também humanistas e filólogos encarregados de reorganizar as obras dos autores antigos (foi Zenôdo quem estruturou a Ilíada e a Odisséia em 24 cantos cada um, depurando-lhes os versos espúrios). Além disso, ele também era encarregado da tutoria dos príncipes reais, a quem devia orientar nas leituras e no gosto. (*) Os rolos de papiro mediam 25 cm de altura por 11 metros de cumprimento, alcançando alguns até 30 metros. Eram escritos sem separação das palavras, com exceção de uma pausa (paragraphos), não havia vírgulas nem pontuação. As folhas, denominadas de cólemas, eram coladas umas as outras antes da sua utilização, e a página que abria o rolo chamava-se protocollon (dai a nossa palavra protocolo). Principais bibliotecários Bibliotecário-chefe / Período Demétrio de Faléreo / 284 a.C. Zenôdoto de Éfeso / 284-260 a.C. Calímaco de Cirene / 260-240 a.C. Apolônio de Rodes / 240-235 a.C. Erastóstenes de Cirene / 235-195 a.C. Apolônio Eidógrafo / 180-160 a.C. Aristarco de Samotrácia / 160-145 a.C. O acervo e os cientistas Em seus primeiros três séculos, da fundação da biblioteca à chegada de César, disseram que as estantes, partindo dos 200 rolos iniciais do tempo de Filadelfo, chegaram a acomodar mais de 700 mil textos em volumes diversos, mas que, infelizmente, parte deles perdeu-se num incêndio acidental quando César por lá esteve (acredita-se que o que foi queimado era uma carga de papiros que estavam no porto esperando serem embarcados para Roma). Seja como for, parece ter sido a intenção de Marco Antônio, o outro líder romano que tornou-se amante e depois marido de Cleópatra, ressarcir as perdas sofridas com o incêndio de 48 a.C., doando para a biblioteca de Alexandria, no ano de 41 a.C., outros 200 mil pergaminhos e livros retirados por ele da biblioteca de Pérgamo, rival da de Alexandria. Desastres esses que de modo algum impediram que ela continuasse sendo visitada por homens ilustres como Arquimedes, ou tivessem embaraçados os cientistas da cidade. As contribuições universais do complexo cultural instalado em Alexandria, uma verdadeira fábrica de sabedoria, foram impressionantes: enquanto Aristarco esboçou a primeira teoria heliocêntrica (a que inspirou Copérnico), coube a Cláudio Ptolomeu, um geocentrista, fundar a moderna astronomia científica. Ao tempo em que Erastóstenes, um outro bibliotecário- chefe, mediu com precisão a Terra, o grande Euclides, ainda no tempo de Ptolomeu Sóter, lançava o Stoicheia ( Elementos), seu imortal estudo de geometria. Até Hypatia, morta em 415, uma das primeiras cientistas que se tem registro, atuou por lá, até que fanáticos cristãos impediram-na de continuar com suas pesquisas. O cerco intolerante sobre a biblioteca Quem terminou por fazer carga cerrada contra a existência do Templo de Serapium e da soberba biblioteca anexa a ele, ainda que empobrecida no século 4, foi o bispo Téofilo, Patriarca de Alexandria, um cristão fundamentalista dos tempos de Teodósio o Grande, que viu naquele prédio um depósito das maldades do paganismo e do ateísmo, mobilizando a multidão cristão para a sua demolição, ocorrida provavelmente no ano de 391. Portanto, hoje encontra-se em total descrédito a narrativa que responsabilizara os muçulmanos, especialmente o califa Omar de Damasco, de ter mandado o general Amrou incendiar a grande biblioteca no ano de 642, depois que as tropas árabes ocuparam a cidade. Ao desaparecimento definitivo dela deve-se ainda associar ao fechamento das academias de filosofia, entre elas a de Platão, ocorrida em 526 (que funcionara durante novecentos anos), determinada pelo imperador Justiniano, encerrando-se assim (devido a maneira lamentável e intolerante de agir do cristianismo daqueles primeiros tempos), as grande contribuições que o mundo antigo deu para a humanidade. Erasistratus, médico da escola de Alexandria cura o jovem Antíoco (tela de L.David, 1774) A boa nova que nos chegou do Oriente Médio, região tão rara em produzir noticias felizes, é o da inauguração da Nova Biblioteca de Alexandria, acontecido em outubro de 2002, um colossal empreendimento que visa recuperar a imagem da cidade como um centro de sabedoria, posição que perdeu há bem mais de 1500 anos . Que os espíritos dos grandes do passado inspirem os que virão no futuro nesta grandiosa tarefa. Fonte: www.educaterra.terra.com.br Biblioteca de Alexandria A Biblioteca de Alexandria A Biblioteca de Alexandria foi uma das maiores bibliotecas do mundo e se localizava na cidade egípcia de Alexandria que fica ao norte do Egito, situada a oeste do delta do rio Nilo, às margens do Mar Mediterrâneo. É hoje, o mais importante porto do país, a principal cidade comercial e a segunda maior cidade do Egito. Tem cerca de 4.4 milhões de habitantes. Representação do Farol de Alexandria A cidade ficou conhecida por causa do empreendimento de tornar-se, na Antigüidade, o centro de todo conhecimento do homem, com a criação da Biblioteca de Alexandria. Considera-se que tenha sido fundada no início do século III a.C., durante o reinado de Ptolomeu II do Egito, após seu pai ter construído o Templo das Musas (Museum). É atribuída a Demétrio de Falero sua organização inicial. Estima-se que a biblioteca tenha armazenado mais de 400.000 rolos de papiro, podendo ter chegado a 1.000.000. Foi destruída parcialmente inúmeras vezes, até que em 646 foi destruída num incêndio acidental. A instituição da antiga Biblioteca de Alexandria tinha como o principal objetivo preservar e divulgar a cultura nacional. Continha livros que foram levados de Atenas. Ela se tornou um grande centro de comércio e fabricação de papiros. Papiro é, originalmente, uma planta perene da família das ciperáceas cujo nome científico é Cyperus papyrus, por extensão é também o meio físico usado para a escrita (percursor do papel) durante a Antigüidade (sobretudo no Antigo Egito, civilizações do Oriente Médio, como os hebreus e babilônios, e todo o mundo greco-romano). Foi por volta de 2200 anos antes de Cristo que os egípcios desenvolveram a técnica do papiro, um dos mais velhos antepassados do papel. Para confeccionar o papiro, corta-se o miolo esbranquiçado e poroso do talo em finas lâminas. Depois de secas, estas lâminas são mergulhadas em água com vinagre para ali permanecerem por seis dias, com propósito de eliminar o açúcar. Outra vez secas, as lâminas são ajeitadas em fileiras horizontais e verticais, sobrepostas umas às outras. A seqüência do processo exige que as lâminas sejam colocadas entre dois pedaços de tecido de algodão, por cima e por baixo, sendo então mantidas prensadas por seis dias. E é com o peso da prensa que as finas lâminas se misturam homogeneamente para formar o papel amarelado, pronto para ser usado. O papel pronto era, então, enrolado a uma vareta de madeira ou marfim para criar o rolo que seria usado na escrita. A lista dos grandes pensadores que freqüentaram a biblioteca e o museu de Alexandria inclui nomes de grandes gênios do passado. Importantes obras sobre geometria, trigonometria e astronomia, bem como sobre idiomas, literatura e medicina, são creditados a eruditos de Alexandria. Segundo a tradição, foi ali que 72 eruditos judeus traduziram as Escrituras Hebraicas para o grego, produzindo assim a famosa Septuaginta (tradução da Tora para o idioma grego, feita no século III a.C.). Ela foi encomendada por Ptolomeu II (287 a.C.-247 a.C.), rei do Egito, para ilustrar a recém inaugurada Biblioteca de Alexandria. A tradução ficou conhecida como a Versão dos Setenta (ou Septuaginta, palavra latina que significa setenta, ou ainda LXX), pois setenta e dois rabinos trabalharam nela e, segundo a lenda, teriam completado a tradução em setenta e dois dias. A Septuaginta foi usada como base para diversas traduções da Bíblia. Fonte: www.amigosdolivro.com.br Biblioteca de Alexandria O imenso arquivo de livros considerados ‘perigosos’, como as obras de Bérose que relatavam seus encontros com extraterrestres ou ‘Sobre o feixe de luz’, provavelmente a primeira obra sobre discos voadores, os livros secretos que davam poder ilimitado, os segredos da alquimia….tudo desapareceu A cidade foi fundada, como seu nome o diz, por Alexandre, o Grande , entre 331 e 330 a.C. Uma fantástica coleção de saber foi definitivamente aniquilada pelos árabes em 646 da era cristã. Antes disso muitos ataques foram destruindo aos poucos esse monumento. Alexandria foi a primeira cidade do mundo totalmente construida em pedra. A biblioteca compreendia dez grandes salas e quartos separados para os consultantes. Discute-se, ainda, a data de sua fundação, por Demétrios de Phalére. Desde o começo, ele agrupou setecentos mil livros e continuou aumentando sempre esse número. Os livros eram comprados às expensas do rei. Demétrios foi o primeiro ateniense a descolorir os cabelos, alourando-os com água oxigenada. Depois foi banido de seu governo e partiu para Tebas. Lá escreveu um grande número de obras, uma com o título estranho: ‘Sobre o feixe de luz no céu’, que é provavelmente, a primeira obra sobre discos voadores. Demétrios tornou-se célebre no Egito como mecenas das ciências e das artes, em nome do rei Ptolomeu I . Ptolomeu II continuou a interessar-se pela biblioteca e pelas ciências, sobretudo a zoologia. Nomeou como bibliotecário a Zenodotus de Éfeso, nascido em 327 a.C., e do qual ignoram as circunstâncias e data da morte. Depois disso, uma sucessão de bibliotecários , através dos séculos, aumentou a biblioteca, acumulando pergaminhos, papiros, gravuras e mesmo livros impressos, se formos crer em certas tradições. A biblioteca continha portanto documentos inestimáveis. Sabe-se que um bibliotecário se opôs, violentamente ,à primeira pilhagem da biblioteca por Júlio César, no ano 47 a.C., mas a história não tem o seu nome. O que é certo é já na época de Júlio César, a biblioteca de Alexandria tinha a reputação corrente de guardar livros secretos que davam poder praticamente ilimitado. Quando Júlio César chegou a Alexandria a biblioteca já tinha pelo menos setecentos mil manuscritos. Os documentos que sobreviveram dão-nos uma idéia precisa. Havia lá livros em grego. Evidentemente, tesouros: toda essa parte que nos falta da literatura grega clássica. Mas entre esses manuscritos não deveria aparentemente haver nada de perigoso. Ao contrário , o conjunto de obras de Bérose é que poderia inquietar. Sacerdote babilônico refugiado na Grécia, Bérose nos deixou de um encontro o relato com os extraterrestres: os misteriosos Apkallus, seres semelhantes a peixes, vivendo em escafandros e que teriam trazido aos homens os primeiros conhecimentos científicos. Bérose viveu no tempo de Alexandre, o Grande, até a época de Ptolomeu I. Foi sacerdote de Bel-Marduk na babilônia. Era historiador, astrólogo e astrônomo. Inventou o relógio de sol semicircular. Fez uma teoria dos conflitos entre os raios dos Sol e da Lua que antecipa os trabalhos mais modernos sobre interferência da luz. A História do Mundo de Bérose, que descrevia seus primeiros contatos com os extraterrestres, foi perdida. Restam alguns fragmentos, mas a totalidade desta obra estava em Alexandria. Nela estavam todos os ensinamentos dos extraterrestres. A ofensiva seguinte, a mais séria contra a livraria, foi feita pela Imperatriz Zenóbia . Ainda desta vez a destruição não foi total, mas livros importantes desapareceram. Conhecemos a razão da ofensiva que lançou depois dela o Imperador Diocleciano ( 284–305 d.C. ). Diocleciano quis destruir todas as obras que davam os segredos de fabricação do ouro e da prata. Isto é, todas as obras de alquimia. Pois ele pensava que se os egipcios pudessem fabricar à vontade o ouro e a prata, obteriam assim meios para levantar um exército e combater o império. Diocleciano mesmo filho de escravo, foi proclamado imperador em 17 de setembro de 284. Era ao que tudo indica, perseguidor nato e o último decreto que assinou antes de sua abdicação em maio de 305, ordenava a destruição do cristianismo. Diocleciano foi de encontro a uma poderosa revolta do Egito e começou em julho de 295 o cerco à Alexandria. Tomou a cidade e nessa ocasião houve um massacre. Entretanto, segundo a lenda, o cavalo de Diocleciano deu um passo em falso ao entrar na cidade conquistada e Diocleciano interpretou tal acontecimento como mensagem dos deuses que lhe mandavam poupar a cidade. A tomada de Alexandria foi seguida de pilhagens sucessivas que visavam acabar com os manuscritos de alquimia. E todos manuscritos encontrados foram destruidos . Eles continham as chaves essenciais da alquimia que nos faltam para a compreensão dessa ciência, principalmente agora que sabemos que as transmutações metálicas são possíveis. Seja como for, documentos indispensáveis davam a chave da alquimia e estão perdidos para sempre: mas a biblioteca continuou. Apesar de todas as destruições sistemáticas que sofreu , ela continuou sua obra até que os árabes a destruissem completamente. E se os árabes o fizeram, sabiam o que faziam. Já haviam destruido no prórpio Islã – assim como na Pérsia – grande número de livros secretos de magia, de alquimia e de astrologia. A palavra de ordem dos conquistadores era “não há necessidade de outros livros, senão o Livro”, isto é , o Alcorão. Assim , a destruição de 646 d.C. visava não propriamente os livros malditos, mas todos os livros. O historiador muçulmano Abd al-Latif (1160-1231) escreveu: “A biblioteca de Alexandria foi aniquilada pelas chamas por Amr ibn-el-As, agindo sob as ordens de Omar, o vencedor”. Esse Omar se opunha aliás a que se escrevessem livros muçulmanos, seguindo sempre o princípio: “o livro de Deus é-nos suficiente”. Era um muçulmano recém-convertido, fanático, odiava os livros e destruiu-os muitas vezes porque não falavam do profeta. É natural que terminasse a obra começada por Julio César, continuada por Diocleciano e outros. Fonte: www.fenomeno.matrix.com.br Biblioteca de Alexandria O Império Macedônico estendeu-se, como vimos, por todo o mundo conhecido, da Sicília à África do Norte, da Península Balcânica à Ásia Menor, do Irão à Índia e ao Afeganistão. Vimos também que Filipe II, e posteriormente Alexandre, desenvolveram uma política de aproximação às culturas dos povos conquistados. É neste contexto que se deve entender o significado ecuménico da Biblioteca. Com o intuito de compreender melhor os povos conquistados, era necessário reunir e traduzir os seus livros, em especial os livros religiosos uma vez que a religião era, de acordo com Canfora (1989: 28), “a porta de suas almas”. Interessa também realçar que o Egipto era um país onde a tradição da cultura e das coleções sempre tinha existido. Na verdade, desde o tempo dos antigos faraós que existiam bibliotecas. Por outro lado, alguns soberanos Assírios e Babilônicos possuíam também bibliotecas. Em Ninive, foi mesmo encontrada em 1849 por Layard, a biblioteca cuneiforme do rei assírio Assurbanipal, cujos livros eram placas de argila. No entanto, a primeira biblioteca particular realmente importante, antes da biblioteca de Alexandria, foi a biblioteca de Aristóteles elaborada, em parte, graças aos generosos subsídios de Alexandre. A fundação da Biblioteca Por conselho de Demétrio de Falero, Ptolomeu Soter, vai fundar uma nova biblioteca. O edifício será construído no mais belo bairro da nova cidade, nas proximidades do porto principal, onde também se encontrava o palácio real, prova bem clara da importância que Ptolomeu, desde o princípio, lhe atribuiu. Para além dos inúmeros livros que Demétrío e Ptolomeu I compraram para a biblioteca, esta foi crescendo também graças ao contributo que os sábios e os literatos da época iam dando (refira-se por exemplo, o caso do filólogo Dídimo (313 – 398 d.C.), que terá composto cerca de três mil e quinhentos volumes de comentários). A coleção de base acumulada por Ptolomeu I aumentou com enorme rapidez nos dois reinados seguintes. Ptolomeu III, o Evérgeta (reinado: 246 – 221 a.C.), usou de todos os métodos para obter livros. Assim, todos os navios mercantes fundeados no movimentado porto de Alexandria, eram revistados e os livros encontrados retidos e copiados. Conta-se também que Ptolomeu III pedira emprestado a Atenas os manuscritos originais ou as cópias oficiais das grandes tragédias de Ésquilo (525 – 456 a.C.), Sófocles (496 – 406 a.C.) e Eurípedes (480 – 406 a.C.). Acontece porém que, para os Atenienses, esses textos eram um patrimônio cultural de valor incalculável, razão pela qual se mostraram reticentes em deixar os manuscritos sair das suas mãos. Só depois de Ptolomeu ter assegurado a devolução através de um enorme depósito em dinheiro (quinze talentos) aceitaram ceder as peças. Mas Ptolomeu, que atribuía maior valor a esses manuscritos do que ao próprio ouro, preferiu perder a caução e conservar os originais na sua biblioteca. Os Atenienses tiveram que contentar-se com as cópias que Ptolomeu lhes enviou. A Biblioteca continha tudo o que a literatura grega produzira de interessante. É certo também que existiam obras estrangeiras traduzidas ou não. Dentro das obras traduzidas pelo corpo de tradutores do próprio museu, distingue-se a tradução em língua grega dos chamados Setenta, livros sagrados dos Judeus a que chamamos Antigo Testamento. Uma lenda diz que Ptolomeu II Filadelfo (rei do Egipto entre 283 e 246 a. C.) reuniu setenta e dois sábios judeus e lhes pediu que traduzissem para o grego as suas Escrituras. No entanto, a tradução foi na realidade bem mais demorada. O Pentateuco só foi acabado de traduzir no séc. III, os livros dos Profetas e os Salmos no século II, e o Eclesiastes cerca de cem anos após a era cristã. A dedicação e devoção revelada pelos soberanos do Egipto e pelos responsáveis pelo Museu permitiu reunir a maior coleção de livros da antiguidade. Pensa-se que a Biblioteca chegou a reunir cerca de 400 mil volumes. Tendo-se tornado insuficiente o espaço, o Serapeion (templo de Serápis) recebeu um outro depósito, de cerca de 300 mil volumes, totalizando assim 700 mil volumes. Estátua do deus Serápis séc. IV a. C.. Adorado tanto pelos Gregos como pelos Egípcios, Serápis simbolizava a influência do saber grego no Egipto. Dada a sua riqueza, a Biblioteca foi alvo de atenção dos falsários. Assim, uma das tarefas dos funcionários do Museu consistia em distinguir as obras apócrifas das autênticas. Por exemplo, os poemas homéricos foram analisados por um filólogo do Museu, Zenódoto de Éfeso (final do séc. III a.C.) que assinalou as passagens mais suspeitas, o mesmo ocorrendo com os poemas trágicos e a literatura grega. Assim, nascia no Museu a crítica dos textos. Com a decadência de Atenas, o centro de produção do conhecimento científico muda-se para a nova capital do mundo helénico. Como consequência, dá-se a fusão entre os conhecimentos teóricos dos gregos e os conhecimentos empíricos dos egípcios, fusão essa que está na origem de um período de grande esplendor. Foram inúmeros os sábios que contribuíram para o desenvolvimento da ciência em Alexandria. No decorrer do texto, citar-se-ão os mais relevantes e indicar-se-ão algumas das obras que fizeram com que os seus nomes ficassem para sempre na história da ciência. Fonte: www.educ.fc.ul.pt Biblioteca de Alexandria O ínicio da Biblioteca de Alexandria No século III a.C., a escrita estava presente em todas as tarefas concebíveis na sociedade de Alexandria (extremamente burocrática, e assim, bem organizada e ordenada) dominada pelos gregos: venda de cerveja, manutenção de casas de banhos, autorização de um serviço de pintura, comércio de lentilhas torradas. Em um intervalo de 33 dias, por exemplo, o ministro das finanças Apolônio recebeu 434 rolos de papiros escritos para serem examinados. Não nos causaria surpresa, então, o fato de ter sido exatamente nessa cidade onde o comércio de papiro fortaleceu, pela primeira vez, a palavra escrita que o maior santuário à escrita do mundo antigo foi erguido: a Biblioteca de Alexandria. Ela viria a se tornar tão famosa que, 150 anos depois de de sua destruição, Ateneu de Náucratis ainda escreveria, antecipando ao conhecimento geral de seus eleitores: “E quanto ao número de livros, a formação de bibliotecas e a coleção na Galeria das Musas, porque eu devo me pronunciar, já que tudo isso está vivo na memória de todos os homens?”A Biblioteca de Alexandria começou a ser a ser formada no governo do sucessor de Alexandre, o grego macedônio Ptolomeu I Sóter (que reinou de 323 a 285 a.C), talvez como um anexo do museu municipal (FISCHER, 2006, p. 53). Fonte: www.tre-rs.gov.br Biblioteca de Alexandria A BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA NA ANTIGUIDADE: MEMÓRIA E PATRIMÔNIO NO IMPÉRIO HELENÍSTICO Fundação e origem Alexandre Magno (336-323) nasceu da união de Filipe, o realista, e de Olímpias, a mística,tendo como antepassados míticos, por parte de pai, Zeus e Heracles, Aquiles e Príamo por parte de mãe. O sangue de grandes heróis dos quais acreditava descender parecia estar em suas veias, e apaixonado pelas tradições místicas consulta o oráculo de Amon em Siwah, recebendo dos deuses a resposta que tanto almejava: é proclamado filho de Amon, que lhe promete o império universal. Alexandre sente-se o próprio deus após a proclamação, o que o faz comportar-se como um super-homem. Ao mesmo tempo, seguia os ensinamentos de Aristóteles, adquirindo a cultura helênica através da leitura de Píndaro, Heródoto e Eurípides. Segundo seu mestre, Aristóteles, Alexandre acreditava que a moderação está na base das monarquias e herda dos seus pais a prudência, a inspiração, a reflexão e a intuição, assim como os acessos de cólera e o entusiasmo também vistos em outros Eácidas (da família Molossos a que sua mãe fazia parte), (LÉVÊQUE, 1987, p. 9-11). Filipe morre em 336, apunhalado por Pausânias, época em que Alexandre tinha apenas 20 anos e por ser o primogênito, é proclamado rei pelo exército. Seus ideais de conquistar e civilizar o mundo são então colocados em prática por meio de grandes batalhas, chegando a conquistar terras muito longínquas como o Oriente e a Ásia, […] Alexandre anima o exército com o seu ardor enquanto o dirige com a ciência do estratego mais seguro. De resto, este intrépido cavaleiro, este temível manejador de homens, este capitão grande entre os maiores, mostra-se o mais genial dos organizadores (LÉVÊQUE, 1987, p. 13). O controle das cidades conquistadas é conseguido com a manutenção da administração às quais estavam habituadas: […] assim, tem a sabedoria de não querer unificar um Império polimorfo e de manter em cada região a administração a que elaestá habituada. Esta política de colaboração completa-se através de uma política muito mais ambiciosa e concebida de uma forma radicalmente nova. Alexandre não comunga do ideal pan-helênico, não quer submeter e humilhar o Bárbaro mas, sim, fundi-lo com o Grego num conjunto harmonioso onde cada um terá a sua parte. E como conseguir melhor esta fusão senão multiplicando os casamentos mistos? O rei dá o exemplo: casa com Roxana, filha de um nobre de Sogdiana, depois com três princesas persas. Num só dia, no regresso da Índia, a maior parte dos seus generais e 10000 soldados unem-se com indígenas numa esplêndida cerimônia (as bodas de Susa). Paralelamente, manda educar à maneira grega 30000 crianças iranianas (LÉVÊQUE, 1987, p. 14) Com essas atitudes Alexandre mantém o poder e o controle das cidades conquistadas e expande a cultura grega por vastas regiões, mas somente Alexandria atinge a glória como uma das mais belas cidades do mundo. As estratégias usadas pelo conquistador para expansão da cultura grega demonstram sua habilidade política para com os povos dominados e as imensas regiões conquistadas. Ao promover os casamentos entre povos distintos, permitia uma fusão cultural e lingüística entre os mesmos, atingindo assim seus planos de dominação através da clivagem étnica e cultural. Segundo Flower, Alexandre Magno chega ao Egito cerca de 332 a.C., sendo acolhido pela população como um salvador que a estava libertando do odiado jugo persa: “O rei persa Ataxerxes III Oco (da XXXI dinastia) reconquistou o Egito em 343 a.C. e reinou por meio de um governador até a chegada de Alexandre Magno, em 332 a.C.” (FLOWER, 2002, p. 11). Devido às muitas lutas pelo poder e invasão de persas e assírias, o reino foi reduzido a uma província do império aquemênida. Após as festividades de sua coroação, Alexandre passa o inverno na costa do Mediterrâneo numa vila conhecida como Racótis, “[…] no extremo ocidental do Delta e logo atrás da Ilha de Faro” (FLOWER, 2002, p. 12). A cidade de Alexandria estabeleceu-se a oeste do delta, no istmo entre o mar e o lago Mareótis, perto do braço Canópico do Nilo: sítio salubre, mesmo no verão, por causa dos ventos etésios. O porto, protegido pela ilha de Faros, fica relativamente ao abrigo das grandes tempestades (LÉVÊQUE, 1987, p. 66). Existem algumas lendas sobre a fundação de Alexandria. Podemos considerar que: Numa versão mais prosaica, seus conselheiros (Alexandre Magno) teriam observado que uma cidade construída em uma faixade terra entre o mar e o Lago Mareótis logo atrás teria a) acesso fácil ao Nilo e ao Delta e b) uma fonte permanente de água doce, vital para o projeto. E ao construir uma estrada elevada para a Ilha de Faro, ele poderia, sem muito esforço, ter o maior e melhor porto da bacia oriental do Mediterrâneo, abrigado dos ventos etesianos e das perigosas correntes do oeste (FLOWER, 2002, p. 13) Alexandre decidiu construir um porto de mar profundo que atendesse a uma armada agressiva e grande frota. Contratou o maior arquiteto da época, Deinócrates, para projetar a cidade, e em 7 de abril de 331 a.C. lançou a pedra fundamental da cidade. Algumas semanas depois ele partiu e nunca mais retornou em vida. Seu corpo foi enterrado por seu sucessor Ptolomeu I Sóter em uma magnífica tumba conhecida como Soma, segundo relato de Flower (2002, p. 15) Mas se Alexandre da Macedônia foi o fundador efetivo de uma cidade que se tornaria o epicentro do pensamento grego e romano dos novecentos anos seguintes, temos de agradecer também a seus sucessores imediatos, os três primeiros ptolomeus, pela criação de seu singular centro de saber (FLOWER, 2002, p. 16). Para Lévêque (1979, p. 39), a cidade era uma grande metrópole cosmopolita e a mais importante do mundo helênico. Um lugar onde conviviam povos distintos como gregos, egípcios, sírios e judeus, uma verdadeira miscelânea de povos, culturas, costumes. Tal variedade permitia uma valiosa efervescência que seria habilmente utilizada como uma estratégia de aculturação lingüística e cultural, como veremos adiante. Após a morte de Alexandre Magno em 323 a.C., o vasto império foi dividido entre seus generais e o Egito coube a Ptolomeu I (filho de um obscuro comandante de guarnição macedônio chamado Lagos) que só se proclamou rei dezesseisanos depois, fundando a dinastia que governou o Egito até este se tornar um estado satélite romano, aproximadamente três séculos depois (FLOWER, 2002, p. 17). Ptolomeu I era um homem de letras e, ligado a tudo referente ao intelecto, procurou se rodear deconselheiros inteligentes. Um desses sugeriu pela primeira vez a criação de uma biblioteca real, sendo a sugestão aprovada pelo rei com todos os recursos possíveis (FLOWER, 2002, p. 19). O sucessor de Ptolomeu I Sóter foi Ptolomeu II Filadelfo, que se casou com sua irmã Arsinoé II. A seu respeito, Flower (2002, p. 21) narra o seguinte: Apaixonado colecionador de livros, Ptolomeu II Filadelfo adquiriu todos os papiros e rolos que podia conseguir, até mesmo bibliotecas inteiras, como a de Aristóteles, emboraos historiadores tenham discutido durante séculos se realmente a obteve inteira. Assim, ao final de seu reinado de quase quarenta anos, os livros transbordavam da Biblioteca para os escritórios e armazéns reais, por isso foi tomada a decisão de construir uma segunda biblioteca para abrigá-los. O projeto foi concretizado por seu filho Ptolomeu III Evergeta (filho de Ptolomeu II Filadelfo e de sua primeira esposa, Arsinoé I), e uma biblioteca filha foi incorporada ao vasto Serapeum Sobre a biblioteca filha, sabe-se que foi construída visto que os rolos de papiro transbordavam da Biblioteca de Alexandria para os escritórios e armazéns reais e seu acervo era constituído pelas melhores cópias elaboradas a partir das boas edições feitas no museu (que assim comoa biblioteca filha, fazia parte do vasto Serapeum), localizados no bairro de Racótis, que abrigava os centros de saber. Ela era freqüentada por pessoas estranhas ao museu, ou melhor, por pessoas da própria cidade, diferentemente do movimento de eruditos e sábios que freqüentavam a biblioteca principal. Assim como seu pai e avô, Ptolomeu II Filadelfo era também um grande admirador das artes e bibliófilo apaixonado, adquirindo carregamentos inteiros de livros e gastando grandes fortunas com códices e papiros raros. Após seu reinado, a tranqüilidade vivida dentro do Museu e da Biblioteca chegou ao fim com os sucessores de Ptolomeu que, devido aos casamentos entre primos e irmãos, foram vitimados pela degenerescência e ataques de loucura. Esses sucessores demonstraram hostilidade com o grande centro de saber e cultura (FLOWER, 2002, p. 22). Para uma melhor compreensão do significado da reunião desses milhares de rolos de papiros buscou-se o conceito de documento que é discutido por Dodebei através de atributos aele relacionados, como formação e suporte físico. Esses atributos, no entanto, não são suficientes para distinguir documento de objeto. Dessa forma a autora busca outros atributos, como prova ou testemunho de uma ação cultural, o que levará ao complexo conceito de memória social. Considera-se a memória como a “manutenção de qualquer recorte de ações vividas por uma sociedade” (DODEBEI, 2001, p. 60), levando assim ao congelamento das ações escolhidas com o intuito de promover a preservação daquele momento social. A escolha dessas ações representa a sua duplicação em móvel e imóvel, implicando então na noção de representação e, conseqüentemente, de memória. Para Dodebei (2001, p. 60) a “memória social é assim retida, por meio das representações que processamos, quer na esfera pessoal – memória individual –quer na esfera pública – memória coletiva”. Há, portanto, duas formas de representação para melhor compreensão: pela reprodução, como “duplicação de textos, sons e imagens”, e por “isolamento de um objeto”, no caso de um único exemplar. O conceito de documento pode ser compreendido como um “constructo”, reunindo três proposições: unicidade, virtualidade e significação. No primeiro, unicidade, entendemos que os documentos como “objetos de estudo da memória social não são diferenciados em sua essência”, visto não se reunirem em categorias específicas. A segunda, virtualidade, leva a uma classificação do objeto, pois a “atribuição de predicados ao objeto submetido ao observador dentro das dimensões espaço-tempo éseletiva” (DODEBEI, 2001, p. 64). Significação, a terceira das proposições, indica que a transformação dos objetos usados no cotidiano em documentos é intencional, o que os constitui em categoria de tempo e circunstância. A partir dessas proposições, é possível afirmar que “não existe memória sem documentos, uma vez que estes só se revelam a partir de escolhas circunstanciais da sociedade que cria objetos” (DODEBEI, 2001, p. 64) Em Alexandria tal memória foi formada através dos documentos reunidos na biblioteca, visto que estes representavam as escolhas dos soberanos e dos bibliotecários que indicavam quais obras seriam armazenadas na biblioteca real e quais iriam para a biblioteca filha, num processo incessante de depositar todas as obras disponíveis e em todas as línguas, afirmando assim a primazia sobre outros povos e o domínio cultural advindo deste processo de montagem do acervo. Tal processo de acumulação dos escritos, nas palavras de Le Goff (1990, p. 545, 547-548) significa que: O documento não é inócuo. É antes de mais nada o resultado de uma montagem, consciente ou inconsciente, da história, da época, da sociedade que o produziram [sic], mas também das épocas sucessivas durante as quais continuou a viver, talvez esquecido, durante as quais continuou a ser manipulado, ainda que pelo silêncio. […] O documento é monumento. Resulta do esforço das sociedades históricas para impor ao futuro –voluntária ou involuntariamente – determinada imagem de si próprias. Assim, o acervo foi formado com o apoio das gerações dos Ptolomeu que, ao incentivarem o acúmulo de rolos nas estantes das bibliotecas, possibilitaram seu crescimento, fortaleceram o domínio cultural e lingüístico, além da imagem de si próprios que construíram através do esforço consciente ao reunirem os documentos-monumentos durante séculos de existência das bibliotecas. Retomando o histórico do centro de saber, encontra-se Demétrio Falereu que foi o grande influenciador de Ptolomeu I Sóter na formação e construção da primeira grande biblioteca, tendo chegado em Alexandria na primavera de 304 a.C., com pouco mais de quarenta anos. Demétrio nasceu numa família rica e influente, recebeu a melhor educação e estudou no Liceu de Aristóteles, convivendo com grandes filósofos, poetas e oradores de seu tempo, Demétrio tinha sido um dos grandes jovens mais poderosos e bem sucedidos do mundo grego, e poucos de seus contemporâneos conseguiram igualar sua fama como orador, poeta e filósofo ou rivalizar seu poder como senhor absoluto de Atenas, que ele governara desde a idade de vinte e oito anos em nome de Cassandro, outro general de Alexandre, que se tornara soberano da Macedônia (FLOWER, 2002, p. 23) No entanto, Poliorceta deu um golpe de Estado e Demétrio foi obrigado a fugir. Sua formação teria influenciado a sugestão que dera ao rei […] um centro de cultura e pesquisa em Alexandria que rivalizaria com os de Atenas, Pérgamo e Cirene, e transformaria a cidade no epicentro da erudição. O resultado foi a formação do que se tornaria a primeira grande biblioteca e centro de pesquisa internacional. Abrigado ao recinto real, o acesso ao Museu e à Biblioteca era limitado de início aos convidados do rei. Mas rapidamente, à medida que o número de rolos e códices cresceu e que sábios locais e estrangeiros eram convidados a estudar ali, o local se transformou em um lugar de estudo público para eruditos reputados […] (FLOWER, 2002, p. 25) Algumas lendas mostram que Demétrio sugeriu a Ptolomeu I que reunisse livros sobre a realeza e o exercício do poder para seu próprio uso. Demétrio recebeu o consentimento do rei e o persuadiu a montar uma biblioteca com cópias de todas as obras importantes já escritas, um projeto ambicioso envolvendo a compra ou cópia de quatrocentos a quinhentos mil pergaminhos (FLOWER, 2002, p.25-26). Para a realização deste projeto, Ptolomeu enviou emissários aos centros acadêmicos do Mediterrâneo e Oriente Médio com a missão de comprar ou mesmo surrupiar trabalhos dos principais filósofos, poetas, matemáticos e dramaturgos. Outro método utilizado foi a revista de todos os barcos que atracavam no porto de Alexandria, procurando manuscritos que, ao serem encontrados, eram confiscados e mantidos em armazéns para posterior cópia, e muitas vezes sequer eram devolvidos. Segundo Jacob (2000, p. 45), a biblioteca então formada era um depósito de livros, no sentido grego do termo, onde rolos de papiros eram arrumados em estantes, em nichos ou contra as paredes. Seus leitores eram sábios e homens de letras que liam, conversavam, e talvez ensinassem a uns poucos alunos em galerias cobertas. Para Jacob (2000, p. 45), Alexandria não era um modelo de catedrais do saber como as bibliotecas de hoje e sim uma biblioteca de Estado, mas sem público, pois sua finalidade era acumular todos os escritos da terra no palácio real, e não difundir o saber de forma a educar a sociedade. Em contraste com o que Baratin e Jacob colocam como o espírito de uma biblioteca: Lugar de memória nacional, espaço de conservação do patrimônio intelectual, literário e artístico, uma biblioteca é também o teatro de uma alquimia complexa em que, sob o efeito da leitura, da escrita e de sua interação, se liberam as forças, os movimentos do pensamento. É um lugar de diálogos com o passado, de criação e inovação, e a conservação só tem sentido como fermento dos saberes e motor dos conhecimentos, a serviço da coletividade inteira (BARATIN; JACOB, 2000, p. 9) Demétrio intrometeu-se na sucessão real e acabou banido por Ptolomeu II Filadelfo quando este soube que Demétrio havia aconselhado seupai a colocar o primogênito como sucessor. Demétrio morreu de uma picada de cobra quando fazia sua sesta; é provável que tenha morrido envenenado por Biblioteca de Alexandriaordens do faraó (FLOWER, 2002, p. 26-27). Mas se Demétrio foi o idealizador da Biblioteca de Alexandria, outro nome passou à história como seu grande organizador: Calímaco. É o que conta Flower (2002, p. 50): Por volta de 270 a.C., no reinado de Ptolomeu II Filadelfo, entrou em cena um poeta e gramático cujo nome seria ligado mais do que qualquer outro –exceto Demétrio Falereu –à grande biblioteca. Calímaco nasceu por volta de 305 a.C. em Cirene, a outra grande colônia grega. Calímaco conseguiu um emprego na biblioteca devido a sua inteligência e sabedoria, pois recebera excelente educação por ser filho da nobreza. No entanto, quando sua família perdeu a fortuna, passou a ganhar a vida dando aulas num subúrbio de Alexandria; logo ficou conhecido no palácio e então convidado a trabalhar na biblioteca. Grande bajulador que era, escreveu poemas ao faraó, como Hino a Zeus e Délio, sendo nomeado poeta oficial da corte. Recebeu nomeações para tutor do herdeiro do trono e bibliotecário-chefe, mas possivelmente por achar que atrapalhariam seu trabalho recusou os cargos (FLOWER, 2002, p. 51). Calímaco tentou uma classificação geral do acervo, os Catálogos, que eram divididos em gêneros e atendiam a todos os setores da biblioteca. O enorme catálogo era tão extenso que ocupava sozinho uns cento e vinte rolos, Catálogo dos autores que brilharam em cada disciplina e dá umaidéia da ordenação dos rolos.Esse catálogo não representava um guia da biblioteca, pois apenas os que a utilizavam com freqüência conseguiam entendê-lo, mas sim uma seleção do catálogo completo; nem mesmo representava todo o acervo, uma vez que foi usadocomo critério incluir apenas os autores que mais se destacaram nos diversos gêneros, em categorias, tais como épicos, trágicos, cômicos, historiadores, médicos, retóricos, leis, miscelâneas, em seis seções para a poesia e cinco para a prosa (CANFORA, 2001, p. 41). A maior contribuição de Calímaco para a biblioteca foi a catalogação de toda a coleção de papiros e códices, estimada em quinhentos mil, utilizando Pinakes (lâminas). A respeito destas lâminas, Flower (2002, p. 52) oferece mais detalhes: Essas eram uma série de 120 livros nos quais as obras eram analisadas e listadas cronologicamente por “palavras-chave” e “autor”. De acordo com o Suidas, léxico do século 10, Calímaco compôs lâminas “sobre os homens eminentes em todos os campos do conhecimento e sobre o que escreveram”. Um efeito digno de Sísifo, e se a ele adicionarmos as 880 obras que se considera que escreveu, temos uma idéia da voracidade por trabalho que ele devia ter. Homens de confiança eram escolhidos pelos reis para cuidar da biblioteca, trabalho este que consistia em classificar, dividir em livros, copiar, anotar, acrescentar comentários às obras, contribuindo assim para o aumento incessante do acervo. Eram os chamados bibliotecários que conheciam a biblioteca profundamente, com todas as suas estantes, corredores e milhares de rolos armazenados cuidadosamente, um trabalho que permitia o acesso tão restrito às mais diversas obras (CANFORA, 2001, p. 40). O trabalho de reunir, ordenar e classificar as obras depositadas na biblioteca foi valorizado por Namer (1987) como um verdadeiro “quadro social da memória”, tal como o define Halbwachs: uma referência estável de tradições e conhecimentos a partir dos quais todas as novas informações se organizam. Namer destaca a importância da obra Catálogos enquanto uma categorização sistemática, afirmando que ela constitui uma verdadeira […] mnemotécnica do corpo de bibliotecários e dos leitores. Reflexo da categorização dos livros nas prateleiras tanto como os casos da classificação dos saberes, o catálogo sistemático, memória das memórias, desempenha o papel de quadro social da memória tal como o define Halbwachs: uma lembrança nova se adapta às categorias antigas […], ou seja, as categorias se modificam (se subdivide a classificação: se abre uma novaprateleira). […] O catálogo sistemático, na medida em que representa a categorização prepara um primeiro exemplo de uma coordenação entre a memória social virtual que constitui o conjunto dos livros e a atualização dessa memória pela escolha e a leituraque o público fará. O catálogo criado por Calímaco, apesar de representar uma parte e não todo o acervo da biblioteca, representava uma forma de organização do conhecimento armazenado em milhares de rolos que se espalhavam pelas estantes e permitia assima localização dos mesmos. Tal trabalho leva à questão abordada por Dodebei (2001, p. 62) quando diz que: […] independentemente da questão do valor, que é um atributo móvel, e portanto, não permanente, em um dado instante é necessário dar uma ordem a esses objetos que já se constituem em documentos, uma vez que estes foram selecionados para pertencer a um conjunto (coleção,no caso de bibliotecas e museus e acervos orgânicos, no caso de arquivos). Tais conjuntos vão se constituir em memória se deles pudermos obter os cruzamentos representacionais necessários à recuperação, ou seja, a possibilidade de localização e acesso à fonte primária. A miscelânea de povos na cidade de Alexandria ao reunir num mesmo lugar gregos, judeus, núbios, egípcios, colonos, militares e aventureiros, assim como a pretensão de abrigar uma biblioteca universal que abarcasse toda a memória do mundo numa cidade nova, mostra que os soberanos pretendiam afirmar a “primazia da língua e da cultura gregas, dotar sua capital com uma memória e raízes artificiais” (JACOB, 2000, p. 47). Neste sentido, a idéia da biblioteca como podendo constituir um “quadro social da memória”, segundo o que propõe Namer, poderia ser questionada, já que esse quadro social, no sentido rigoroso do termo, tem comoestofo as tradições familiares, religiosas e de classe de um determinado grupo ou região. A memória que se visava constituir através da Biblioteca de Alexandria, contudo, é uma memória que não se enraíza em nenhuma tradição local: trata-se de uma memória construída artificialmente, a partir de raízes inventadas ou impostas. Essa memória artificial foi construída a partir da fundação da cidade, da criação da biblioteca e do museu, como forma de compensar a marginalidade geográfica através da simbologia obtida com a grandiosidade e importância do centro de saber. Não satisfeitos com suas tradições ou sua origem, os governantes inventavam uma, como forma de legitimar e engrandecer o seu poderio: eis aqui um propósito político importante na fundação da Biblioteca de Alexandria, onde o saber se encontra claramente a serviço do poder. Ao reunir num só local todas as obras escritas e em todas as línguas, num processo de apropriação lingüística e cultural, por meio de cópias, traduções e reelaborações dos mais importantes escritos, construiu-se numa cidade nova uma memória artificial, permitindo que através dessa memória escrita o Egito obtivesse vantagem na rivalidade política com outras potências mediterrâneas. O terceiro bibliotecário-chefe foi Eratóstenes, que nasceu em Cirene e fora para Alexandria para estudar com Calímaco. Ele permaneceu no cargo por quarenta anos, tendo assumido em 245 a.C. com apenas trinta e um anos. Eratóstenes era poeta, filósofo, matemático, astrônomo, cientista, geógrafo, crítico literário, gramático e inventor. Por possuir todos esses dons, é considerado precursor de gênios como Leonardo da Vinci, Giovanni Pico della Mirandola e Leon Battista Alberti; sua maior contribuição foi ter descoberto uma forma válida para se medir o perímetro da Terra, o que permitiu a entrada de seu nome para a História. Eratóstenes teve um fim trágico: com mais de setenta anos perdeu a visão e teve que renunciar ao cargo de bibliotecário-chefe; dez anos depois, sem o conforto dos livros e o estímulo à pesquisa, parou de comer e morreu aos oitenta e dois anos (FLOWER, 2002, p. 66-67, 69, 70). A movimentação na biblioteca era restrita a uma elite de sábios, pensadores, estudiosos que tinham acesso aos milhares de rolos de papiro acumulados por anos de reinado ptolemaico, numa tentativa de reunir num só lugar todo o saber registrado pelos vários povos e línguas de todo o mundo. Era um lugar de leitura, de descobertas e criação, onde os pesquisadores buscavam conhecimentos e dialogavam com autores antigos, muitas vezes reescrevendo, traduzindo ou atualizando escritos. Segundo Jacob (2000, p. 51): […] a ‘grande biblioteca’de Alexandria funda uma nova relação com o tempo e o espaço. Há o tempo Destruição da Biblioteca de Alexandriada busca dos livros, de sua acumulação progressiva que visa criar uma memória total, universal, abolindo a distância com o passado para propor num mesmo lugar de conservação todos os escritos humanos, os vestígios do pensamento, da sabedoria e da imaginação. A coleção afirma uma vontade de domínio intelectual ao impor uma ordemà acumulação de livros e de textos provenientes de regiões e de épocas muito variadas. Esse processo incessante de reescrever, traduzir e produzir novos textos é representado como uma memória-saber, que nas palavras de Namer (1987) significa: cópia, resumo, citação, formalização da reflexão sobre a memória, todas estas práticas de memória são práticas cognitivas; atualizo uma memória para recuperar um saber, um raciocínio antigo, a partir dos quais nasce minha própria reflexão. Esta prática cognitiva dememória está ligada à minha intenção de atualizar uma memória-saber A esse conjunto de práticas cognitivas, o autor chama de memória-diálogo, assim como o fichário ou catálogo usados para pesquisar o acervo de uma biblioteca. Os pesquisadores que atuavam na biblioteca, sábios e eruditos, assim como os bibliotecários que lá trabalhavam, ao terem acesso aos mais variados textos já escritos, dialogando entre si e talvez ensinando a uns poucos alunos, atualizavam as memórias escritas com o intuito de recuperar um saber. Tais práticas cognitivas de resumos, citações, traduções realizadas no centro de saber eram formas de atualizar uma memória-saber. Memória esta que sóexiste se houver documentos, conforme estudos de Dodebei (2001), como os milhares de rolos acumulados nas estantes da Biblioteca de Alexandria e da biblioteca filha no Serapeum, que foram criadas, mantidas e destruídas a partir de escolhas, disputase exercício de poder dos soberanos ao longo daexistência da biblioteca, durante o reinado ptolemaico que duroutrês séculos, como uma “memória cumulativa dos saberes das elites do poder”(NAMER, 1987). A Biblioteca de Alexandria era um espaço de conservação do patrimônio intelectual, lingüístico e literário do império helenístico como parte integrante de um projeto político baseadonadominação pelo saber e assimilação cultural. Estratégias utilizadas por Alexandre Magno para estender o seu poder sobre os persas, e como elas foram baseadas em grande parte no saber, na cultura e na assimilação do conhecimentoarmazenado nas estantes das bibliotecasque eramfreqüentadas por uma por uma minoria de sábios e representantes da elite intelectual da época.Rio JordãoComeçaremos a falar da Palestina na Idade do Bronze Antigo (3200-2050 a.C.), quando houve um notável progresso na vida urbana, na indústria (sobretudo na cerâmica) e um aumento geral da população, provável resultado da sedentarização de grupos novos que se estabeleciam na região. Muitas das cidades que conhecemos através da história bíblica já existiam, como Jericó, Meguido, Bet-Shan, Gezer, Ai, Laquish. No centro e no norte da Palestina é que se situa a maior parte destas cidades, sendo mais rarefeita a população no sul. A agricultura era a atividade básica. Cultivavam, nesta época, o trigo, a cevada, lentilhas, favas. Havia também a cultura da oliveira e da amendoeira. A vinha teria sido ali introduzida nesta época. O comércio funcionava em direção à Síria do norte e do Egito. Os utensílios de pedra dominavam ainda, embora já se começasse a fabricação de armas de cobre. Na Síria, a cidade de Biblos conheceu um progresso semelhante e a influência egípcia tornou-se marcante graças ao comércio marítimo. Podemos chamar convencionalmente estes povos de cananeus. Sua língua era um semítico do noroeste, provavelmente a ascendente do cananeu falado nos tempos israelitas, do qual o hebraico bíblico é uma derivação. Por volta de 2300 a.C. esta civilização sofreu forte decadência. Até a década de 70 do século XX se acreditava que povos teriam invadido, a partir do norte, seu território e as cidades teriam sido destruídas, algumas bem violentamente. O mesmo aconteceu na Síria. O curioso é que se observa que seus novos habitantes não reconstruíram imediatamente as cidades: ou acamparam sobre as ruínas, ou viveram em cavernas e quando reconstruíram as casas estas eram bastante modestas, e isto depois de alguns séculos de ocupação. Só por volta de 1900 a.C. é que há sinais de nova vida urbana. Dizia-se que possivelmente eram estes povos os mesmos amoritas ou semitas do oeste que invadiram também a Mesopotâmia. Hoje se reconhece que as mudanças ocorridas então se devem muito mais a mudanças climáticas do que a qualquer entrada de povos na região.
A cidade de Alexandria foi fundada por Alexandre, o Grande, no ano de 332 a.C, e logo se tornou o principal porto do norte do Egito. Localizada no delta do rio Nilo, numa colina que separa o lago Mariotis do mar Mediterrâneo, foi o principal centro comercial da Antigüidade. Seu porto foi construído com um imponente quebra-mar que chegava até a ilha de Faros, onde foi erguido o famoso Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Farol de Alexandria Sua localização privilegiada, na encruzilhada das rotas da Ásia, da África e da Europa, transformou a cidade num lugar ideal para concentrar a arte, a ciência e a filosofia do Oriente e do Ocidente. A Biblioteca de Alexandria foi construída por Ptolomeu I Soter no século IV a.C, e elevou a cidade ao nível de importância cultural de Roma e Atenas. De fato, após a queda do prestígio de Atenas como centro cultural, Alexandria tornou-se o grande polo da cultura helenística. Todo manuscrito que entrava no país (trazido por mercadores e filósofos de toda parte do mundo) era classificado em catálogo, copiado e incorporado ao acervo da biblioteca. No século seguinte à sua criação, ela já reunia entre 500 mil e 700 mil documentos. Além de ser a primeira biblioteca no sentido que conhecemos, foi também a primeira universidade, tendo formado grandes cientistas, como os gregos Euclides e Arquimedes. Os eruditos encarregados da biblioteca eram considerados os homens mais capazes de Alexandria na época. Zenódoto de Éfeso foi o bibliotecário inicial e o poeta Calímaco fez o primeiro catálogo geral dos livros. Seus bibliotecários mais notáveis foram Aristófanes de Bizâncio (c. 257-180 a.C) e Aristarco da Samotrácia (c. 217-145 a.C). Hipácia foi a última grande cientista de Alexandria. Nasceu em 370 d.C (?) — os historiadores são incertos em diferentes aspectos da vida de Hipácia e a data de seu nascimento é debatida atualmente. Foi filha de Theon, um renomado filósofo, astrônomo, matemático e autor de diversas obras, professor da Universidade de Alexandria. Durante toda a sua infância, Hipácia foi mantida por seu pai em um ambiente de idéias e filosofia. Alguns historiadores acreditam que Theon tentou educá-la para ser um ser humano perfeito. Hipácia e Theon tiveram uma ligação muito forte e este ensinou a ela seu próprio conhecimento e compartilhou de sua paixão na busca de respostas sobre o desconhecido. Quando estava ainda sob a tutela e orientação do seu pai, ingressou numa disciplinada rotina física para assegurar um corpo saudável para uma mente altamente funcional. Hipácia estudou matemática e astronomia na Academia de Alexandria. Devorava conhecimento: filosofia, matemática, astronomia, religião, poesia e artes. A oratória e a retórica, com grande importância na aceitação e integração das pessoas na sociedade da época, também não foram descuidadas. No campo religioso, Hipácia recebeu informação sobre todos os sistemas de religião conhecidos, tendo seu pai assegurado que nenhuma religião ou crença lhe limitasse a busca e a construção do seu próprio conhecimento. Quando adolescente, viajou para Atenas para completar sua educação na Academia Neoplatônica, com Plutarco. A notícia se espalhou sobre essa jovem e brilhante professora, e quando regressou já havia um emprego esperando por ela, para dar aulas no museu de Alexandria, juntamente com aqueles que haviam sido seus professores. Hipácia é um marco na História da Matemática que poucos conhecem, tendo sido equiparada a Ptolomeu (85 – 165), Euclides (c. 330 a. C. – 260 a. C.), Apolônio (262 a. C. – 190 a. C), Diofanto (século III a. C.) e Hiparco (190 a. C. – 125 a. C.). Seu talento para ensinar geometria, astronomia, filosofia e matemática atraía estudantes admiradores de todo o império romano, tanto pagãos como cristãos. Aos 30 anos tornou-se diretora da Academia de Alexandria. Do seu trabalho, infelizmente, pouco chegou até nós. Alguns tratados foram destruídos com a Biblioteca, outros quando o templo de Serápis foi saqueado. Grande parte do que sabemos sobre Hipácia vem de correspondências suas e de historiadores contemporâneos que dela falaram. Um notável filósofo, Sinesius de Cirene (370 – 413), foi seu aluno e escrevia-lhe freqüentemente pedindo-lhe conselhos sobre o seu trabalho. Através destas cartas ficou-se a saber que Hipácia inventou alguns instrumentos para a astronomia (astrolábio e planisfério) e aparelhos usados na física, entre os quais um hidrômetro. Sabemos que desenvolveu estudos sobre a Álgebra de Diofanto (“Sobre o Canon Astronômico de Diofanto”), que escreveu um tratado sobre as seções cônicas de Apolônio (“Sobre as Cônicas de Apolônio”) e alguns comentários sobre os matemáticos clássicos, incluindo Ptolomeu. E em colaboração com o seu pai, escreveu um tratado sobre Euclides. Ficou famosa por ser uma grande solucionadora de problemas. Matemáticos que haviam passado meses sendo frustrados por algum problema em especial escreviam para ela pedindo uma solução. E Hipácia raramente desapontava seus admiradores. Ela era obcecada pela matemática e pelo processo de demonstração lógica. Quando lhe perguntavam porque nunca se casara ela respondia que já era casada com a verdade. A tragédia de Hipácia foi ter vivido numa época de luta entre o paganismo e o cristianismo, com este a tentar apoderar-se dos centros importantes então existentes. Hipácia era pagã, fato normal para alguém com os seus interesses, pois o saber era relacionado com o chamado paganismo que dominou os séculos anteriores e era alicerçado nas tradições de liberdade de pensamento. O cristianismo foi oficializado em 390 d.C, e o recém nomeado chefe religioso de Alexandria, o bispo Cirilo, dispôs-se a destruir todos os pagãos assim como seus monumentos e escritos. Por causa de suas idéias científicas pagãs, como por exemplo a de que o Universo seria regido por leis matemáticas, Hipácia foi considerada uma herética pelos chefes cristãos da cidade. A admiração e proteção que o político romano Orestes dedicou a Hipácia pouco adiantou, e acirrou ainda mais o ódio do bispo Cirilo por ela e, quando este tornou-se patriarca de Alexandria, iniciou uma perseguição sistemática aos seguidores de Platão e colocou-a encabeçando a lista. Assim, numa tarde de 415 d.C, a ira dos cristãos abateu-se sobre Hipácia. Quando regressava do Museu, foi atacada em plena rua por uma turba de cristãos enfurecidos, incitados e comandados por “São” Cirilo. Arrastada para dentro de uma igreja, foi cruelmente torturada até a morte e ainda teve seu corpo esquartejado (dilacerado com conchas de ostra, ou cacos de cerâmica, consoante as versões existentes) e queimado. O historiador Edward Gibbon faz um relato vívido do que aconteceu depois que Cirilo tramou contra Hipácia e instigou as massas contra ela: “Num dia fatal, na estação sagrada de Lent, Hipácia foi arrancada de sua carruagem, teve suas roupas rasgadas e foi arrastada nua para a igreja. Lá foi desumanamente massacrada pelas mãos de Pedro, o Leitor, e sua horda de fanáticos selvagens. A carne foi esfolada de seus ossos com ostras afiadas e seus membros, ainda palpitantes, foram atirados às chamas”. O estúpido episódio da morte de Hipácia é considerado um marco do fim da tradição de Alexandria como centro de ciências e cultura. Pouco depois, a grande Biblioteca de Alexandria seria destruída e muito pouco do que foi aquele grande centro de saber sobreviveria até os dias de hoje. Enrico Riboni descreve os motivos e as conseqüências dessa ação fanática dos religiosos: “a brilhante professora de matemática representava uma ameaça para a difusão do cristianismo, pela sua defesa da Ciência e do Neoplatonismo. O fato de ela ser mulher, muito bela e carismática, fazia a sua existência ainda mais intolerável aos olhos dos cristãos. A sua morte marcou uma reviravolta: após o seu assassinato, numerosos pesquisadores e filósofos trocaram Alexandria pela Índia e pela Pérsia, e Alexandria deixou de ser o grande centro de ensino das ciências do mundo antigo. Além do mais, a Ciência retrocederá no Ocidente e não atingirá de novo um nível comparável ao da Alexandria antiga senão no início da Revolução Industrial. Os trabalhos da Escola de Alexandria sobre matemática, física e astronomia serão preservados, em parte, pelos árabes, persas, indianos e também chineses. O Ocidente, pelo seu lado, mergulhará no obscurantismo da Idade Média, do qual começará a sair somente mais de um milênio depois. Em reconhecimento pelos seus méritos de perseguidor da comunidade científica e dos judeus de Alexandria, Cirilo será canonizado e promovido a Doutor da Igreja, em 1882.” E Carl Sagan nos acrescenta: “Há cerca de 2000 anos, emergiu uma civilização científica esplêndida na nossa história, e sua base era em Alexandria. Apesar das grandes chances de florescer, ela decaiu. Sua última cientista foi uma mulher, considerada pagã. Seu nome era Hipácia. Com uma sociedade conservadora à respeito do trabalho da mulher e do seu papel, com o aumento progressivo do poder da Igreja, formadora de opiniões e conservadora quanto à ciência, e devido à Alexandria estar sob domínio romano, após o assassinato de Hipácia, em 415, essa biblioteca foi destruída. Milhares dos preciosos documentos dessa biblioteca foram em grande parte queimados e perdidos para sempre, e com ela todo o progresso científico e filosófico da época.” Fonte: br.geocities.com Alexandria História de Alexandria Alexandria nasceu em -331 sob as ordens de Alexandre, o Grande, que tinha conquistado o Egito e a libertação do jugo tirânico dos persas (então com 25 anos idade). Diz a lenda que Homer teria aparecido em sonho a Alexander e induziu a fundar uma cidade que levaria seu nome. A escolha do local, na costa do Mar Mediterrâneo, foi estratégica: Alexandria seria capaz de tornar-se o cruzamento de comércio do Mediterrâneo. Após a sua fundação, a cidade se tornou a capital da dinastia ptolomaica do Egito e cresceu rapidamente para se tornar uma das cidades mais importantes do período helenístico , superado apenas pela Roma em tamanho e riqueza. Alexandria Alexandria, famosa por seu famoso farol, uma das sete maravilhas do mundo antigo, foi fundada por Alexandre, o Grande -331. Foi construído sobre as ruínas de uma cidade antiga: Rakhotis. Escritos históricos não são claras sobre isso, para alguns, a cidade era uma vila de pescadores, para outros, o rakhotis prazo, o que pode ser traduzido como “edifício”, foi a primeira cidade construída pelos gregos . Outra hipótese ainda implica que a palavra significa “site”, e simplesmente seria dado pelos egípcios para a área em que foi construído pelo nome Alexander. Basta dizer que o passado da cidade não é clara. Historicamente, o país que foi construído na cidade era habitada por pessoas, pastores e bandidos. Desde o início de seu nascimento, ela prometeu excepcional. Alexander usa Deinocratès Rhodes, um arquiteto grego famoso, para projetar a cidade. Estas palavras são simples; ele quer um plano de grade, com largas avenidas se cruzam em ângulos retos. A cidade não deixará de crescer. De acordo com Ptolomeu em primeiro lugar; filho do fundador da dinastia dos Lagos Lagides, ele foi a cidade compartilhada na morte de Alexander, lá se estabeleceram e decidiu torná-la a capital do Egito -319. Em seguida, nas mãos de seus muitos outros líderes e em breve se tornará um dos centros culturais e intelectuais do mundo antigo. A sua famosa biblioteca existe para alguma coisa … O prédio também abriga um museu, uma academia e uma universidade, foi um longo tempo com o farol, o Santo Graal da cidade. Conhecido em todo o mundo, que atraiu multidões de intelectuais e cientistas dentro de suas paredes. Mas um incêndio devastou a -47 em parte. Mais tarde, a cidade é outra vocação tão importante; apelo comercial e militar. Porto torna-se a base a partir da qual muitos comerciantes e os exércitos da bacia do Mediterrâneo. O advento do cristianismo, no entanto, vai mais fundo marca da cidade e do terceiro século, um sério declínio começou. Os magníficos templos são destruídos, o que restou da biblioteca está fechada, a população diminui fortemente … Em 646, a queda de Alexandria estava no auge. Passado grego que fez tanto por sua influência, deixando a cidade, e deixa-lo às mãos árabes. Em seguida, investiu durante as Cruzadas, Alexandria perde o seu último sinal de grandeza … Seu carro-chefe, que ainda serviu durante séculos, é uma ruína de muitos. Na Idade Média, a cidade era apenas uma pequena vila de pescadores com um passado glorioso. Só no século XVIII e da vinda de Napoleão para a cidade recuperou a sua idade de ouro. No entanto, foi de curta duração; o novo vice-rei do Egito, Mohammed Ali, desvanece-se em um fim último que Alexandria foi a construção de uma nova cidade no local da antiga cidade em 1805 Embora a cidade então experimentou o influxo de grandes populações que vai trazer-lhe uma rica cultura e um novo começo para o seu ofício, a revolução de 1952 obrigou os comerciantes estrangeiros para regressar ao seu país. Hoje uma população de cerca de 5 milhões de pessoas em sua maioria de origem egípcia, Alexandria continuou a ser a mais importante cidade portuária egípcia, mas já não tem a sua antiga influência. No entanto, alguns vestígios do passado ainda permanecem dentro de seus muros, como uma prova imortal que Alexandria foi bem no passado a bela cidade descrita em textos antigos. Podemos admirar as ruínas do auditório romano da cidade, encontrei há pouco no site de um cemitério. A esfinge dois granito rosa perto de Pilar de Pompeu, descoberto em 1906, onde ficou um anexo da famosa biblioteca de Alexandria, pode ser visto. Para mergulhar em tempos mais recentes, o forte de Sultan Qaitbay no local do antigo farol de Alexandria, onde a nova biblioteca de Alexandria, inaugurada em 2002, certamente não vai remover a nostalgia da velha cidade, mas são, no entanto, locais históricos e culturais importantes da cidade. O que você deixou para a antiga Alexandria por algumas ruínas? … O seu porto é um dos mais movimentados no Egito, sua população anteriormente cosmopolita tem traços de sua misto. Mas o esplendor ou mais … Para Alexandria, na sua sabedoria, sabia que ser uma única cidade era para ser uma cidade efêmera. Fonte: www.l-egypte.com Alexandria Alexandria é uma cidade ao norte do Egito, situada a Oeste do delta do rio Nilo, às margens do Mar Mediterrâneo. É o principal porto do país, a principal cidade comercial e a segunda maior cidade do Egito. Tem 3,5 milhões de habitantes (2001). A cidade ficou conhecida por causa do empreendimento de tornar-se, na antigüidade, o centro de todo conhecimento do homem, com a criação da Biblioteca de Alexandria. Possui vastas instalações portuárias(embarque de algodão). A parte ocidental do porto ocupa cerca de 900ha e a parte oriente constitui o porto de pesca. Entre estas duas docas está localizada a cidade maometana, com ruas estreitas e bazares. Possui uma universidade e uma escola superior árabe. É a metrópole do comércio egípcio do algodão e centro de inúmeras indústrias. Tem refinaria de petróleo, central térmica, praia e aeroporto. Fonte: www.fotoserumos.com Alexandria Fundada por Alexandre Magno – o Grande, um dia a cidade foi a capital do Egito e recentemente descobriu mais uma de suas antigas histórias… Quase todas as pessoas já ouviram falar sobre as dinastias do Antigo Egito… Especificamente na Dinastia dos Ptolomeus (abaixo), o Egito foi conquistado pelos gregos. Isso ocorreu entre 332 a 32 antes de Cristo, época em que a cidade de Alexandria reinava absoluta. A primeira Biblioteca de Alexandria foi fundada em 306 a. C., por Ptolomeu I, sucessor de Alexandre, o Grande, e continha cerca de 700 mil itens. Os responsáveis pela Biblioteca tinham autorização para comprar todos os pergaminhos existentes da época. Dizem que todos os navios que aportavam na cidade tinham seus pergaminhos confiscados e aos donos eram devolvidas cópias feitas pelos especialistas… Essas e outras façanhas contribuíram para fazer de Alexandria o mais famoso centro do saber da humanidade. Para lá foram estudiosos e pensadores como Arquimedes e Euclides. Durante 700 anos, o país, cenário de uma das civilizações mais importantes da antigüidade, foi sucessivamente invadido. Lentamente helenizou-se, romanizou-se e foi governado por uma série de dinastias estrangeiras. Por fim, os árabes, que chegaram ao delta do Nilo, no século VII depois de Cristo, onde introduziram o islamismo. Hoje, o turismo é uma importante fonte de renda para o país, da mesma forma que o pedágio cobrado pela passagem de navios no Canal de Suez. Seu nome é República Árabe do Egito. A língua oficial é o árabe, mas fala-se também berbere, núbio, inglês e francês. Sua hora local em relação a Brasília é de + 5 horas. Atualmente sua capital é o Cairo, mas outrora a Alexandria ostentou este título, sendo considerada por séculos também a capital cultural do mundo! Território francês entre 1830 a 1930, a cidade está no delta do Nilo e às margens do Mediterrâneo. É a segunda maior cidade do Egito, com mais de 3 milhões de habitantes e com um dos maiores portos do Mediterrâneo. Fundada em 332 a.C., por Alexandre, essa cidade teve papel eminente no último período da Antigüidade egípcia. Capital do reino, era uma cidade com numerosa população grega e judaica. Tornou-se um grande centro comercial e intelectual da antigüidade. Tinha uma impressionante infra-estrutura administrativa, financeira e comercial. Entrou em decadência durante o século I a.C., quando Roma começou a intervir nos assuntos egípcios. A última governante ptolomaica foi Cleópatra, filha de Ptolomeu XII, que reinou graças ao apoio de seus dois amantes: primeiro de Julius Caesar e depois de Marcus Antonius. Na antigüidade existiam sete grandes estruturas consideradas as Maravilhas do Mundo. Tal classificação foi alterada muitas vezes e a que prevalece até hoje, data do século VI d.C. O Farol de Alexandria era uma delas. Construído em 280 a.C., todo em mármore branco, pelo faraó Ptolomeu II, na ilha de Pharos – da qual derivou o nome Farol. Esta estrutura media 134 metros de altura. As Pirâmides que foram construídas muito tempo antes de Cristo, é a única maravilha que resistiu ao tempo… Histórias e histórias são o que os turistas aprendem em qualquer parte daquelas terras. O Forte Qait Bay, construído no século XV, foi durante muito tempo considerado uma das sete maravilhas do mundo faraônico antigo; hoje, é um museu da vida marinha. Athanaeus (fl. c. 200 CE) O Grande Espetáculo e a Procissão de Ptolemy II Philadelphus, 285 BCE Quando Ptolomeu II Philadelphus tornou-se rei do Egito (285 a.C.), ele celebrou sua ascenção com uma magnífica procissão e um festival, em Alexandria. O que segue abaixo é somente uma parte da descrição do elaborado espetáculo… A mera discrição de toda essa pompa, poder e luxúria converge à idéia da Dinastia dos Ptolomeus, o esplendor e toda riqueza da corte deles e os recursos de seus reinados… História Primeiro, eu irei descrever a tenda preparada dentro da velha cidade amuralhada – uma parte do lugar designado para receber os soldados, artesãos e estrangeiros. Era maravilhoso e enorme, podendo acomodar 130 mesas (para banquetes) arrumadas em círculo. O teto era sustentado por 50 pilares cúbicos de madeira, dos quais 4 foram arrumados para parecerem palmeiras. O interior era rodeado de cortinas vermelhas; no meio do espaço, foram suspensos estranhas peles de bestas, de cores e tamanhos variados. Do lado de fora dos pilares havia um pórtico (a céu aberto), o qual estava todo adornado e tinha uma cobertura em arco; essa parte era sombreada por árvores myrtle e louro, assim como outras vegetações. Todo piso estava recoberto com todos os tipos de flôres; para o Egito, obrigado pelo clima agradável e pela gentileza das pessoas que cuidaram da jardinagem, produzidas abundantemente e o ano inteiro, essas flôres que eram escarsas em outras terras e só apareciam em estações epeciais. Rosas, lírios brancos e várias outras flôres nunca faltavam naquele país. Embora o grande entretenimento aconteceu no meio do inverno, havia um show de flôres que extasiavam os estrangeiros. Flôres que eram difíceis de serem econtradas em quantidade para se fazer um buquêt em qualquer outra cidade, aqui, eram abundantes para os convidados… todas essas flôres no grande piso da tenda, davam a aparência de um jardim divino. Em volta da tenda foram colocados postes com animais esculpidos em mármore por artistas, cem em número; enquanto nos espaços entre os postes haviam pinturas de pintores Sicyonian. Alternadamente com esses, foram cuidadosamente selecionadas imagens de todo tipo, também tecidos bordados com ouro, alguns tendo retratos de reis do Egito e algumas histórias da mitologia. Acima deles foram colocadas espadas de ouro e prata, alternadamente. Ao longo seguem lugares e suportes dourados, pratos de prata, conjunto de chícaras etc, desponíveis para os convidados. E agora vamos para o show e a exibição das procissões; que passaram pelo estádio da cidade. Primeiramente, aconteceu a procissão de Lúcifer (nome dado ao planeta Vênus) iniciando-se quando a primeira estrela apareceu. Depois vieram as procissões em honra a vários deuses. Na procissão de Dionísio, em primeiro lugar entrou Sileni para manter fora a multidão. Em seguida veio Satyrs, segurando lâmpadas feitas de madeira ivy. Depois vieram imagens de Victory, tendo asas de ouro e trazendo em suas mãos incensos incandescentes, adornados com folhas de árvore, ouro e túnicas bordadas com figuras de animais. Continuando, vieram garotos com túnicas púrpuras, trazendo fragâncias e mirra, também açafrão em pratos dourados. Depois 40 Satyrs coroados com guirlandas douradas; seus corpos estavam pintados, alguns com púrpura, outros com vermelhão e alguns com outras cores. Cada um deles usava uma coroa dourada, imitando folhas de videira e de ivy. Também vieram Philiscus, o Poeta, que era o mestre de Dionysus, e com ele todos os artesãos contratados para o serviço daquele deus; e ainda os Delphian como treinadores dos atletas, um como treinador dos jovens, outros para treinar os homens. Seguiu-se uma enorme carruagem de 4 rodas transportada por 180 homens. Dentro dela havia uma imagem de Dionysus (10 cubits de altura). No final, havia um vasto número de empregados do palácio carregando vasos de ouro do rei; 24 carruagens carregadas por 4 elefantes cada; em seguida desfilou toda coleção real de animais: 20 carruagens carregadas por antílopes, 15 por búfalos, 8 por pares de avestruzes, 8 por zebras; também por várias mulas, 14 leopardos, 16 panteras, 4 linces, camelos, 24 leões, 1 CAMELOPARDALIS e um rinoceronte etíope, além de outras criaturas estranhas… E, por fim, começou a procissão das tropas (homens a cavalo e à pé), todos marcharam armados e em forma; haviam 57.600 da infantaria e 23.200 da cavalaria. O custo dessa grande ocasião foi de 2.239 “talents” e 50 “minae” (grosseiramente, por volta de 35 milhões de dólares, em 1998). DINASTIA DOS PTOLOMEUS Família Macedônica que reinou no Egito durante o período Helênico, da morte de Alexandre – o Grande, em 323 a.C., até o Egito transformar-se em Província Romana, em 30 a.C. O nome correto seria Dinastia Lágida. A dinastia foi fundada pelo general de Alexandre, Ptolomeu I, que se estabeleceu como governante independente em 305 a.C., adotando o nome de Ptolomeu I Soter. O reino prosperou sob sua gestão e as de seus sucessores, Ptolomeu II Philadelphos e Ptolomeu III Euergetes, que competiu com outra dinastia macedônica, os Selêucidas da Síria, pela supremacia no Mediterrâneo oriental. A capital do reino, Alexandria, cidade cosmopolita com numerosa população Grega e Judaica, tornou-se um grande centro comercial e intelectual da Antigüidade. Os lágidas criaram uma impressionante infra-estrutura administrativa, financeira e comercial. Entraram em decadência durante os séculos II e I a.C., quando Roma começou a intervir nos assuntos egípcios. A última governante ptolomaica foi Cleópatra VII. Ptolomeu XII foi pai de Cleópatra VII, a qual foi amante de Julius Caesar e Marcus Antonius. A moeda abaixo, juntamente de outras, foi encontrada próxima da Costa de Haifa, em Israel. REINADOS DOS PTOLOMEUS Ptolomeu I, Soter (305-283 a.C.) Ptolomeu II, Philadelphos (285-246) Ptolomeu III, Euergetes (246-221) Ptolomeu IV, Philopator (221-205) Ptolomeu V, Epiphanes (205-180) Ptolomeu VI, Philometor (180-145) Ptolomeu VII, Eupator (145) Ptolomeu VIII, Euergetes II (145-116) Ptolomeu IX, Soter (116-106) Ptolomeu X, Alexander I (106-88) Cleópatra II (106-101) Ptolomeu IX, Soter (88-80) Ptolomeu XI, Alexander II (80) Ptolomeu XII, N. Dionysos (80-51) Cleópatra VII, Philopator (51-30) Ptolomeu XIII (51-47) Ptolomeu XIV (47-44) Ptolomeu XV (40) Ptolomeu XVI Septuaginta Versão dos Setenta – Primeira tradução dos escritos do Antigo Testamento hebraico para o grego, produzida em Alexandria, no século III a.C., a pedido de um dos reis macedônicos do Antigo Egito, Ptolomeu II Filadelfo. Durante o seu reinado, os judeus receberam privilégios políticos e religiosos totais. Também foi durante esse tempo que o Egito passou por um grande programa cultural e educacional, sob o patrocínio de Arsínoe, esposa e irmã de Ptolomeu II. Nesse programa inclui-se a fundação do museu de Alexandria e a tradução das grandes obras para o grego. A Septuaginta tomou esse nome pelo fato de ter sido realizada por 70 anciões, trazidos de Jerusalém exclusivamente para a tarefa. Foi rechaçada pelos judeus ortodoxos, numa atitude semelhante ao católicos da Idade Média, diante do reformador protestante Martim Lutero, que traduziu a Bíblia para o alemão, tornando-a acessível ao povo. A idéia era a mesma: Ampliar o conhecimento do Antigo Testamento para a língua grega, para atingir outros judeus alexandrinos, mas os radicais viram este trabalho como uma profanação. A Septuaginta incluía não apenas o cânon hebraico, mas também outras obras judaicas, em sua maior parte escritas nos séculos II e I a.C., em hebraico, aramaico e grego. Esses escritos, mais tarde, vieram a ser conhecidos como os Apócrifos, palavra grega que significa oculto ou ilegítimo. Os judeus consideravam esses livros como não inspirados. Os denominados Apócrifos são 15 livros judaicos, surgidos no período intertestamentário. São eles: 1 e 2 Esdras, Tobias, Judite, Ester, Sabedoria de Salomão, Eclesiastes, Baruc, Epístola de Jeremias, Prece de Azarias e Cântico dos Três Jovens, Suzana, Bel e o Dragão, A Prece de Manassés, 1 e 2 Macabeus. A Septuaginta serviu de fundo às traduções para o latim a para as outras línguas. Tornou-se também uma espécie de ponte religiosa colocada sobre o abismo existente entre os judeus (de língua hebraica) e os demais povos (de língua grega). O Antigo Testamento da LXX foi o texto utilizado em geral na primitiva igreja cristã. O Pilar de Pompéia, um grande pilar de granito cor de rosa, encontra-se nas ruínas do templo de Serapiun. Tal pilar foi dedicado em 297 d.C. ao imperador Diocletian, por sua vitória sobre o cristão Aquiles que havia requerido o título de imperador. O Museu Greco-Romano, fundado em 1891 pelo arqueologista italiano Botti, possui mais de 40 mil relíquias valiosas. O Anfiteatro Romano é uma ruína com 20 terraços em forma de semicírculos, que foi descoberto por arqueólogos, em 1964, localiza-se no distrito de Kom El Dekka. Mosque Abu El Abbas El-Norsi: É uma das relíquias islâmicas da cidade. Fica no distrito de Al Anfushy. Mais recente, em 18 de dezembro passado, jornais noticiaram que fortes terremotos podem ter sido responsáveis pelo desaparecimento de duas cidades do Egito antigo: Menouthis e Herakleion, cujas ruínas, muito bem preservadas, foram encontradas no leito do Mar Mediterrâneo alguns meses atrás. Acredita-se que tais cidades foram submersas há mais de 1.000 anos, sugerindo que a Alexandria de hoje, pode estar sob risco, por encontrar-se sobre uma falha geológica sísmica. Outra história mais recente ainda, 28 de março deste ano, surpreende-nos com o que os representantes da Nauticos Corporation (companhia de exploração oceânica dos EUA) disseram ter encontrado enquanto procuravam um submarino israelense, desaparecido 30 anos atrás. Em lugar disso, encontraram uma embarcação grega que, segundo arqueólogos, tem mais de 2.000 anos e está numa região conhecida como Planície Abissal de Heródoto. Provavelmente, tal embarcação percorria o Mediterrâneo na época entre os reinados de Alexandre – o Grande, e Cleópatra, pois os arqueólogos estimaram que o navio afundou entre 200 e 300 a.C. Bem, depois de todas essas histórias, vista-se como os árabes: com a tradicional galabeia (uma espécie de túnica ampla) e perca-se em Alexandria que está muito mais próximo, no tempo, do que se imagina… Fique por dentro Tome cuidado com o que vestir, pois os shorts, por exemplo, são aceitos nas visitas arqueológicas, mas nem tanto nas cidades. Evite também camisetas cavadas. Tome muito cuidado com o sol, use protetor e não se esqueça do boné ou chapéu . A moeda é a libra egípcia. Todas as notas são escritas em inglês de um lado e em árabe do outro. É extremamente difícil trocar dinheiro com cartões de crédito, exceto em grandes hotéis e nos estabelecimentos bancários. O ônibus do Cairo para a Alexandria parte da estação Midan at-Tahrir a cada 30 minutos. O preço é de 25 libras egípcias e o tempo da viagem é de 3 horas. Pode-se ir também de trem, taxi ou de avião. A Egyptair opera entre o Cairo/Alexandria com vários vôos diários, exceto nas terças-feiras. Apesar desse transporte ser o mais caro é o melhor meio de locomoção. O preço é de 124 libras egípcias e o tempo da viagem é de 30 minutos. Sérgio Eduardo Sakall Fonte: www.sergiosakall.com.br Alexandria A cidade O reino egípcio dos Ptolomeus teve sua origem na fundação de Alexandria, um centro urbano no que era antes uma aldeia de pescadores. A cidade foi fundada (332 a. C.) pelo conquistador macedônico Alexandre Magno (356-323 a. C.) para ser a principal cidade portuária da Antigüidade. Ao chegar ao Egito, Alexandre logo tratou de fundar esse novo porto, cujo enorme potencial previu. Batizada como Alexandria, como muitas das outras cidades fundadas pelo conquistador macedônico, essa cidade em breve se tornou uma das maiores de todo o mundo grego. Ao norte possuía dois bons ancoradouros que davam para o Mar Mediterrâneo. O porto foi construído com um imponente quebra-mar que chegava até a ilha de Faros, onde foi erguido um famoso farol para orientar o tráfego marítimo, o Farol de Alexandria, e ficou conhecido como uma das sete maravilhas do mundo antigo. Esse porto tinha capacidade para abrigar as grandes embarcações que se tornaram típicas da época helenística, o que permitiu a Alexandria exportar sua produção excedente para o resto do país e estender o comércio a outras regiões, tornando-se assim a principal base marítima de todo o Mediterrâneo. Foi para lá que Ptolomeu I Sóter (304-283 a. C.) transferiu sua capital, antes localizada em Menphis, antiga e tradicional cidade do Baixo Egito. Cortada por uma avenida principal excepcionalmente ampla, sua área urbana ocupava um território retangular com 6,4 km de comprimento por 1,2 de largura, e sua população por volta de 200 a. C., chegava a meio milhão de habitantes. Estes eram em sua maioria colonos gregos e macedônios, que tinham organização autônoma de privilégios excepcionais. A numerosa comunidade judaica também tinha sua própria administração. Mas a cidade abrigava igualmente dezenas de milhares de egípcios e indivíduos de várias outras raças. Tratava-se de um centro urbano cosmopolita, em escala ainda maior do que Siracusa. Na nova capital os Ptolomeus construíram muitos palácios e instituições públicas, e a cidade atingiu o nível de centro científico e literário por pelo menos durante o meio milênio seguinte, fato que se prolongou durante os primeiros anos da dominação romana. Muitos dos belos edifícios de Alexandria tornaram-se célebres, como o Museu e a Biblioteca, que juntamente com outras instituições atenienses mais antigas figuravam entre os mais importantes centros culturais da época. Havia também os palácios dos Ptolomeus e o templo de Serápis, a divindade que fora introduzida par atender os reclamos nacionais e cujo culto propagara-se rapidamente, assim como o de Ísis, pelo mundo helenístico. No entanto não parecia uma cidade que fizesse parte do território egípcio. Apesar dos canais que a ligavam a o lago Marcótis e ao sul, parecia um superestrutura acrescentada ao país, e era comum as pessoas falarem em viajar de Alexandria para o Egito. A antiga e grande cidade de Alexandria, hoje terceiro núcleo urbano do país em população, com cerca de 3,5 milhões habitantes e principal porto do norte do Egito, fica localizada no delta do rio Nilo, fundada numa colina que separa o lago Mariotis do mar Mediterrâneo. Nesta cidade sempre existiram dois portos, dos quais o ocidental é o principal centro comercial, com instalações como a alfândega e inúmeros armazéns. A fundação da cidade de Constantinopla contribuiu para a decadência da metrópole egípcia. Fonte: www.dec.ufcg.edu.br Alexandria Fundada por Alexandre Magno, no ano 332 a.C., Alexandria é considerada a pérola do Mediterrâneo. Cidade conhecida por ter sido, na Antigüidade, o centro de todo conhecimento do homem, com a criação da Biblioteca de Alexandria. Seu apogeu foi no século 1º a.C., época de Cleópatra, depois da queda se tornou uma vila de pescadores. Com a chegada dos judeus e armênios no final do século XIX, Alexandria renasceu e atualmente é a principal cidade comercial e a segunda maior cidade do Egito. É a metrópole do comércio egípcio do algodão e centro de inúmeras indústrias. Tem refinaria de petróleo, central térmica e aeroporto. Possui uma universidade e uma escola superior árabe. A cidade está localizada ao norte do Egito, a Oeste do delta do rio Nilo, e é o principal porto do país. Entre as docas está localizada a cidade maometana, com ruas estreitas e bazares. As praias são bastante freqüentadas. Outros pontos turísticos são as catacumbas e o forte Qaitbey, do século XV, no local onde estava uma das sete maravilhas do mundo o farol de Pharos, de 283 a.C. e destruído em 1303. Fonte: www.atmturismo.tur.br Alexandria Fundada em 331 a.C. por Alexandre, o grande, no local onde havia uma aldeia de pescadores chamada Rhakotis, foi a mais importante cidade do mundo nos tempos bíblicos. A criação da cidade visava estabelecer uma conexão entre o mundo grego e o mundo egípcio. Uma rica história envolve Alexandria, em sua famosa biblioteca, que foi destruída, estima-se que havia cerca de meio milhão de rolos de papiro que acumulava todo conhecimento do mundo na época. E seu famoso farol, tido como uma das sete maravilhas do mundo antigo, dentre outros monumentos. Alexandria foi tomada pacificamente pelos árabes em 642 d.C., apesar de notarem um cidade repleta de templos, palácios e teatros deram preferência para estabelecer uma capital na cidade do Cairo, que até hoje e a capital do Egito. A cidade que fora na antiguidade a uma das mais importantes do mundo, passou por um período de decadência. Isso se deveu principalmente ao fato das rotas comerciais se dirigirem para os mares do sul. No final do século XVIII, era pouco movimentada e praticamente arruinada. Foi a partir do século XIX, principalmente com a construção do canal de Suez, que Alexandria atingiu um grande dinamismo tornando-se o principal porto do Egito. A antiga Alexandria tem muitos de seus monumentos soterrados, dos quais muitos não acharam vestígios, o palácio de Cleópata, o túmulo de Alexandre e a famosa biblioteca são exemplos. “Ao sul do cruzamento da Al Horreya e Daniel el-Nebi foi possivelmente o local onde foi sepultado Alexandre, o Grande, mas seu túmulo não foi localizado, e pode estar de fato sob a Mesquita de Nebi Daniel ou numa necrópole grega nas proximidades. A famosa Biblioteca de Alexandria provavelmente também se encontra nesses arredores.” (Tour Egypt, tradução livre) Algumas descobertas arqueológica subaquáticas apontam possibilidades reais de terem encontrado restos de monumentos que podem ser do famoso farol. Outras descobertas, mais a sudoeste, parece ter encontrado restos do que possivelmente foi quartos reais e inclui a eles algumas colunas de granito e magníficas estátuas. A cidade atual é moderna, guarda quarteirões inteiros com casarões árabes-turcos, o Forte Quaitbey e uma nova biblioteca inaugurada em 2001 considerada uma obra-prima. Todo esse complexo da cidade atual está localizado entre o mar Mediterrâneo e o lago Mareotis. Fonte: cidadeselugares.com.br Alexandria O que o Ventor me conta! Ouçam o que ele me diz! Vou contar-vos a história como o Ventor ma contou. Alexandria foi uma cidade importante ao ponto de merecer a intervenção de grandes homens de diferentes civilizações, como Pompeu, outros romanos e gentes de outros quadrantes, mas a sua fama está na sua Biblioteca e na propagação do Helenismo Disse-me o Ventor que uma vez, dois e tal milénios para trás, o seu amigo Alexandre, … aquele que…(o Grande, sabeis!), encontrava-se junto a uma praia numa terra que se chamava Egipto, de pé, apoiando os seus braços na garupa do Bucéfalo a olhar o mar e a pensar nos seus próximos passos quando o Ventor, em mais uma das suas surtidas pelo planeta Terra se aproximou montado no seu cavalo branco Antar. Alexandre largou o Bucéfalo e o Ventor, ainda afastado, largou o Antar e os dois cavalos começaram a correr um para o outro e começaram uma belíssima brincadeira correndo, escabriolando, a par, pela praia fora junto às águas do mediterrâneo. Alexandre, ficou sorrindo, de braços cruzados, vendo os cavalos correr enquanto o Ventor, caminhava devagar, calçando umas sandálias gregas que deixavam entrar a areia seca a roçar-lhe a pele dos pés e penetrando entre os dedos e já estava a ficar danado por ter descido do Antar. O Ventor nunca gostou da areia seca das praias mas, também estava contente, ao ver como o Bucéfalo e o Antar se davam tão bem. Alexandre, ia olhando o Ventor pensando como começar mais uma grande conversa que nunca mais acabava, sobre os desígnios que levaram Alexandre por terras do Egipto. Nessa conversa, voltou a repetir, ao Ventor, as razões porque pretendeu fazer-se Faraó do Egipto (depois fez um sinal com a cabeça apontando para a aldeia de Rhakotis) e como ele, o seu novo Faraó, iria sem qualquer dúvida, tornar-se inesquecível na história das gentes do Nilo. O Ventor sorriu e não achou grande piada, por ele se dizer filho de deuses mas como isso não era da sua conta e daí não viriam grandes males ao mundo, perguntou a Alexandre se achava que se tornaria realmente “grande” pelo fato de se tornar Faraó do Egipto, esquecendo-se que ainda iria ter de voltar a encontrar os persas pela frente e resolver o problema de Dario III que, para Alexandre, tinha cometido o maior crime de todos quando insultou o seu pai (o rei Filipe da Macedônia), então morto. Mas Alexandre, sempre pensativo, sentou-se na areia seca pegando num pauzinho também seco que tinha sido para ali transportado pelas ondas do mar Mediterrâneo e apontando o chão para o Ventor, começou a traçar sulcos na areia. O Ventor ajoelhou-se na areia e perguntou a Alexandre para que serviam aqueles gatafunhos retos e curvos que ele continuava a traçar na areia seca. “O sistema não é bom” – disse Alexandre, ao ver que a areia de tão seca que estava rolava logo entupindo os sulcos e, levantou-se dirigindo-se para a areia húmida, fazendo sinal ao Ventor para o acompanhar. Foi ali na areia húmida das costas do mar Mediterrâneo que Alexandre traçou para o Ventor aquilo que podia ser considerada a planta arquitetônica daquela que viria a ser a bela cidade de Alexandria. Alexandre traçou e retraçou a areia e por fim, virou-se para o Ventor e disse-lhe: “vês! Isto que vês aqui, é a planta daquela que, como tu já sabes, vai ser uma das mais importantes cidades deste mundo oriental”. Depois levantou-se e com as suas sandálias começou a destruir a célebre planta da futura cidade de Alexandria, olhou o Ventor, apontou para a testa e disse: “já está aqui, se não fosse eu a destruí-la seria o mar, e já tenho homem para realizar esta obra, tal como eu a quero. É o Dinocrates”. «Sim, ele é bem capaz», disse o Ventor. E o Ventor prosseguiu com a sua narrativa: Alexandre e eu encontramo-nos ali, junto ao mar nesse local onde hoje fica a cidade de Alexandria e ficamos a olhar as ondas serenas do Mediterrâneo a fazerem a areia rebolar-se naquela espuma branca, onde as gentes da aldeia próxima, chamada Rhakotis se costumavam refrescar. O barulho que ouvíamos junto ao mar, não era a água furiosa, era a areia a rir às gargalhadas quando a água faz cócegas nas barriguinhas bojudas daqueles pedacinhos de rochas desfeitas pelo caminhar dos milénios, as areinhas que estavam, sossegadas, a apanhar sol. Nós, conversávamos sobre aquela mania que o Alexandre teve de se fazer Faraó do grande Egipto numa época desmoralizante para os egípcios, mas Alexandre era um teimoso e teria de levar a dele avante. E levou! Depois achou por bem acalmar a minha má vontade de não o apoiar nessa sua caminhada que levara a cabo algum tempo atrás, quando se entusiasmara pela rababa. Então, olhou-me, pegou no tal pauzinho e riscou na areia o plano daquela que viria a tornar-se numa das mais famosas cidades de tempos passados – a cidade de Alexandria. De repente, numa grande cavalgada pela praia fora, chegavam oficiais de Alexandre com más notícias. Dario III já tinha organizado um poderoso exército e preparava-se para correr, de vez, com Alexandre e as suas falanges das terras que considerava suas. No Egeu e no Mar Negro, as marinhas reorganizavam-se e Dario concentrara o seu poder naval, em Halicarnasso, mas Alexandre não estava só e já conseguira que os barcos de Chipre se aliassem aos seus que já tinham destruído as marinhas fenícia e cartaginesa por causa do cerco de Tiro, na Fenícia. Tiro tinham caído e Alexandre preparava-se para a eventualidade de voltar a ter as forças de Dario III pela frente. E foi isso! Em 6 de Abril de 331 AC, segundo as contas do Ventor, Alexandre deu ordens de marcha às suas falanges que voltaram a passar pela Fenícia rumo à Pérsia de Dario. Porém, antes de partir, deixou Dinocrates incumbido de construir a cidade de Alexandria tal como ele pretendia. Essa cidade foi famosa, fundamentalmente, por se tornar um pólo cultural, com a sua grande Biblioteca, atravessando todo o tempo a que chamamos Helenismo e prosseguindo para além dele. Por isso, hoje, recordo, o nascimento da bela cidade de Alexandria, porque segundo as contas do Ventor, faz hoje 2.338 anos que Alexandre deixou para trás aquele belíssimo local e, por isso, deixo aqui a minha homenagem ao nascimento de Alexandria e à audácia de Alexandre. Fonte: quico97.no.sapo.pt Alexandria A Cidade de Alexandria, principal porto do norte do Egito, fica localizada no delta do rio Nilo, numa colina que separa o lago Mariotis do mar Mediterrâneo. Nesta cidade sempre existiram dois portos, dos quais o ocidental é o principal centro comercial, com instalações como a alfândega e inúmeros armazéns. A cidade foi fundada em 332 a.C., por Alexandre Magno, para ser a melhor cidade portuária da Antigüidade. O porto foi construído com um imponente quebra-mar que chegava até a ilha de Faros, onde foi erguido o famoso farol conhecido como uma das sete maravilhas do mundo. A cidade se tornou a capital do Egito com os Tolomeos, que construíram muitos palácios, além da biblioteca de Alexandria. Atingiu o nível de centro científico e literário da época, fato que se prolongou durante os primeiros anos da dominação romana. A fundação da cidade de Constantinopla contribuiu para a queda da metrópole egípcia. Com os muçulmanos, a decadência de Alexandria avançou ainda mais, sobretudo pelo auge que adquiriu o Cairo.

GUARDIÃ DAS PIRÂMIDES DE GIGrande Esfinge
Nas areias ao lado das pirâmides, em Gizé, perto do Cairo, está agachada a Esfinge. A significação desse grande monumento ainda nos escapa; nós, que mandamos espaçonaves aos planetas, ainda paramos maravilhados diante desse monstro de pedra e tentamos imaginar em vão os motivos da estranha gente que a construiu. Uma vasta cabeça humana com toucado real ergue-se nove metros acima do corpo de leão com setenta e dois metros de comprimento, esculpido em sólida rocha. Suas feições altivas desprezam as mutilações dos homens e olham com sorriso enigmático através do Nilo, além do sol nascente, transcendendo espaço e tempo, para o infinito insondável do universo. Sua fisionomia serena brilha com um poder cósmico, irradiando uma aura que acalma as mentes das pessoas, evocando ecos de uma idade, de uma civilização gloriosa e maravilhosa governada pelos deuses. Uma tão grande nobreza dominando as paixões transitórias da humanidade lembra aquelas cabeças colossais da pré-história esculpidas nos picos dos Andes e na Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico.

Grande EsfingeDurante séculos esse animal de pedra viu o homem primitivo começar de novo a civilização, depois as areias móveis engoliram-na esconderam-na da vista e da memória humana. Há seis mil anos, na Quarta Dinastia, o Rei Khafra (Kefren ou Quéfren) desenterrou o monstro e garantiu a sua imortalidade inscrevendo o seu cartucho real no lado da Esfinge, mas as areias ameaçavam enterrá-la novamente. Tutmosis IV, quando jovem príncipe, um dia, por volta de 1450 a.C., cansado de caçar, adormeceu entre as grandes patas, quando o deus Sol lhe apareceu em sonho e o impeliu a afastar as areias que o cobriam. Em 162 d.C. o Imperador Marco Aurélio olhou com olhar compreensivo e desenterrou a Esfinge para que os homens pudessem admirá-la. Mas nos tempos cristãos só o seu rosto esbranquiçado, batido pelo fogo dos mosquetes turcos, espreitava acima da areia… até que no século XIX os egiptólogos trouxeram a maior parte dela à luz; mas ainda agora alguma grande tempestade pode enterrá-la novamente. Acredita-se que os atlantes adoravam o Sol puramente como representação física do logos solar; quando seus adeptos emigraram para o Nilo, estabeleceram aí a religião do Sol e construíram a grande pirâmide e a Esfinge. Dizem os iniciados que essa cabeça humana sobre um corpo de leão simboliza a evolução do homem desde o animal, o triunfo do espírito humano sobre a besta. Debaixo do monstro devia haver um templo que se comunicava com a grande pirâmide, onde há milênios neófitos de vestes brancas procuravam iniciação nos mistérios da ciência secreta. Milênios mais tarde os sacerdotes egípcios relacionaram a Esfinge com Harmachis, um aspecto de Ra, o deus Sol. A antiga Índia relacionava a Esfinge com Garuda, meio homem, meio ave, o carro celeste dos deuses; os antigos persas identificavam a Esfinge com Simorgh, uma ave monstruosa que de vez em quando pousava na Terra, outras vezes andava no oceano, enquanto com a cabeça sustentava o céu. Os magos da Babilônia ligavam Simorgh à Fênix, a fabulosa ave egípcia que, acendendo uma chama, consumia a si mesma, depois renascia das chamas, possivelmente um símbolo da renovação da raça humana depois da destruição do mundo. Os povos do Cáucaso acreditavam que o Simorgh alado ou cavalo de doze pernas de Hushenk, mestre lendário que diziam ter construído Babilônia e Ispaã, voou para o norte, através do Ártico, para um continente maravilhoso. Um sábio caldeu disse a Cosmos Indicapleustes no século VI d.C.: … As terras em que vivemos são rodeadas pelo oceano, mas além do oceano há outra terra que toca o muro do céu; e nessa terra é que o homem foi criado e viveu no paraíso. Durante o dilúvio, Noé foi levado em sua arca para a terra que sua posteridade habita agora. O Simorgh tornou-se a águia de Júpiter exibida nos estandartes das legiões romanas através do mundo antigo; símbolo de poder divino, foi adotada por Bizâncio e tornou-se a divisa heráldica do Santo Império Romano, quando, como águia de duas cabeças, foi ostentada pelos Habsburgos da Áustria; e ainda encontra lugar de honra nos brasões das poucas monarquias que restam atualmente. A própria Esfinge conjura um mistério mais desnorteante, e contudo talvez mais cheio de humanidade do que nós compreendemos. Algumas pinturas egípcias mostram a Esfinge com asas e rosto humano, retrato de reis ou rainhas; pensamos nos famosos touros alados de Nínive.
Os sacerdotes egípcios de Saís falaram a Sólon da grande guerra entre os atlantes e Atenas e disseram-lhe da relação entre o Egito e a Grécia; ficamos mais intrigados ainda ao descobrir ambos os países ligados pela Esfinge.

Grande EsfingeA mitologia grega representa a Esfinge como um monstro-fêmea, filha de Tifon e da Quimera, ambos monstros com hálito de fogo que devastaram a Ásia Menor, até que foram mortos por Zeus e por Belerofonte em batalhas aéreas que sugerem conflito entre astronaves. A Esfinge aterrorizava Tebas, na Beócia, a cidade mais célebre da idade mítica da Grécia, considerada a terra natal dos deuses Dionísio e Hércules. A esfinge grega tinha corpo de leão alado, peito e rosto de mulher. Pisandro disse que a esfinge veio para a Grécia da Etiópia, provavelmente querendo dizer o Egito. A esfinge tebana importunava os viajantes, propondo-lhes um enigma para decifrarem, depois devorava todos os que não podiam responder. Um jovem forasteiro chamado Édipo, que significa “pés inchados’, a quem o oráculo de Delfos dissera que estava destinado a assassinar o pai e praticar incesto com a mãe, na estrada de Tebas brigou com o Rei Laio e matou-o sem saber que era seu pai. Édipo desafiou a Esfinge, que lhe perguntou: “Que criatura anda de quatro de manhã, anda com dois pés ao meio-dia e com três noite?” “O homem”, respondeu Édipo, prontamente. “Na infância ele anda sobre as mãos e os pés, na idade adulta anda ereto e na velhice apóia-se num cajado.” Mortificada pela resposta correta, a Esfinge jogou-se de um rochedo e morreu. Encantados, os tebanos nomearam Édipo seu rei e ele se casou com Jocasta, viúva do rei falecido, gerando quatro filhos. Os deuses enviaram uma praga e Édipo soube que tinha assassinado seu pai e casado com sua mãe.
ocasta enforcou-se, Édipo cegou-se e vagueou cego pela Grécia, acompanhado de sua filha Antígona, até que as Eumênides, as deusas da vingança, o levaram da Terra. Ésquilo, Sófocles e Eurípides escreveram peças clássicas sobre essa tragédia; os nossos psicanalistas evocam este complexo de Édipo, a tirania da mãe sobre o homem, que dizem ser a causa de psicoses atualmente. É uma estranha história esta, e muito confusa; poderemos relacioná-la com o Egito Antigo? O grande estudioso Immanuel Velikovsky, com magistral erudição, identifica Édipo com o faraó herético Akhenaton, que subiu ao trono em 1375 a.C. Que relação pode haver entre este santo faraó Akhenaton, que tentou reformar o mundo, e o trágico Rei Édipo, marido de sua própria mãe? Poderiam esses personagens extraordinários ser realmente a mesma pessoa em diferentes épocas e em diferentes países? Existe algum mistério mais profundo por trás da imagem de Akhenaton? Velikovsky afirma com impressionantes argumentos que as esculturas mostram que Akhenaton tinha os membros inchados: Édipo, em grego, significa “pés inchados’; as inscrições sugerem que Akhenaton tomou Tiy, sua mãe, como esposa, e gerou filho nela, exatamente como Édipo, que, sem o saber, casou com sua mãe, Jocasta, e gerou nela dois filhos e duas filhas. Por mais repugnante que seja o incesto para o nosso tempo, no Egito Antigo os faraós consideravam-se uma dinastia divina, de modo que, por razões de Estado, casavam irmão e irmã para produzir um sucessor, embora houvesse sem dúvida algumas exceções nessa prática.

Grande EsfingeOs egípcios abominavam o casamento entre mãe e filho, embora tolerassem uniões entre pai e filha, privilégio tido por Ramsés II. Os mitanianos e os antigos persas, adoradores de deuses indo-iranianos, acreditavam que a união entre mãe e filho tinha uma alta significação sagrada. As estreitas relações políticas entre o Egito e Mitani provavelmente trouxeram a influência zaratustriana para a corte egípcia, e isso proporciona uma explicação plausível para o casamento de Akhenaton e Tiy, ambos indivíduos dominantes, e sem dúvida explica por que sua esposa legal, a bela Nefertiti, o deixou. O corpo de Akhenaton nunca foi encontrado. O túmulo miserável de Tiy sugere seu suicídio, Jocasta enforcou-se. Provas tortuosas implicam que Akhenaton depois sofreu cegueira e peregrinou com sua filha Meritaten, que sofreu morte ignominiosa como a trágica Antígona, filha de Édipo, enterrada viva. Akhenaton desapareceu, Édipo foi finalmente removido da Terra pelas Eumênides, deusas da vingança. Como Shakespeare, que raramente inventava seus enredos mas transmutava velhas histórias com a magia do gênio, Ésquilo, por volta de 500 a.C., tomou histórias antigas para montar suas grandes tragédias. Durante séculos a história do rei egípcio, cego e incestuoso, deve ter sido cantada por bardos através de muitas terras; Sófocles deu cor local ao drama, transferindo a cena com personagens gregos para Tebas, na Beócia, cidade que por alguma estranha coincidência tinha o mesmo nome que os gregos davam à grande capital de No-Amon, no Nilo. Na imaginação popular o Egito era simbolizado pela Esfinge, de modo que Sófocles certamente aproveitou a oportunidade de fazer “bom teatro” fazendo a Esfinge apresentar o prólogo de sua nobre trilogia — Édipo rei, Édipo em Colona e Antígona.Uma explicação espantosa, mas, como todo teatrólogo sabe muito bem, perfeitamente possível. Suponhamos que a história oculte um mistério maior do que se imagina, considerando que muita coisa ainda há de ser descoberta!?… Um enigma muito mais antigo
Grande Esfinge
O maior símbolo da cultura do Egito antigo, a esfinge de Gizé, teve sua idade reavaliada. Arqueólogos egípcios e americanos analisaram o calcário usado no monumento e concluíram que sua construção ocorreu há mais de 10000 anos — e não há 4500 anos, como se imaginava. A esfinge teria sido erguida, então, antes da escrita e das primeiras cidades, na Mesopotâmia. Ela seria mais antiga que a própria História. Fonte: www.starnews2001.com.br Grande Esfinge A grande esfinge de Gizé está situada ao sul do complexo da Grande Pirâmide e perto do templo do vale da pirâmide de Kéfren. Ela é formada por um outeiro rochoso que não fora usado pelos construtores da pirâmide de Kéops na sua busca pela pedra necessária à edificação do monumento e que, na época de Kéfren, foi transformado em um imenso leão deitado com cabeça humana. A cabeça e a parte anterior do corpo foram cinzeladas na rocha viva, completando-se o corpo e as patas com tijolos. Supõe-se que tenha sido revestida de uma camada de gesso e pintada. Seu comprimento é de 73 metros e 15 centímetros, sua altura de 20 metros e 12 centímetros e a largura máxima da face é de quatro metros e 17 centímetros. Só a boca mede dois metros e 30 centímetros, enquanto que o comprimento do nariz pode ser calculado em, aproximadamente, um metro e 70 centímetros e o das orelhas é de um metro e 32 centímetros. Na cabeça traz um toucado real. Quase nada resta atualmente da serpente Uraeus na testa e da barba no queixo, que eram outros símbolos da realeza do faraó. Pensam os arqueólogos que a face representa o rei Kéfren. Uma imagem, também provavelmente desse faraó, foi esculpida no peito, mas pouquíssimo resta dela. Entre as patas estendidas do leão, existe uma grande laje de granito vermelho contendo uma inscrição que registra um sonho tido por Tutmósis IV, faraó da XVIII dinastia, antes de ascender ao trono. Conta ela que certa vez, ao caçar, o príncipe resolveu descansar do forte calor do meio-dia à sombra do monumento e adormeceu. Na época a esfinge era idenfificada com o deus-Sol Harmakhis e este apareceu em sonho ao príncipe e prometeu lhe entregar a Coroa Dupla do Egito se ele mandasse retirar a areia que havia quase que totalmente coberto o corpo da esfinge. Embora a inscrição esteja grandemente danificada em sua parte final, pode-se deduzir que Tutmósis IV realizou o que lhe foi pedido e, em recompensa, tornou-se faraó. A palavra egípcia que designava a esfinge era shesep-ankh, que significa imagem viva, e que os gregos traduziram erroneamente por sphigx, que significa atar, ligar, uma vez que a esfinge é composta por um elemento animal e outro humano ligados entre si. O que é a Grande Esfinge Gizé Esculpido a partir do leito rochoso do planalto de Gizé, a Esfinge é realmente uma maravilha misteriosa, desde os dias do antigo Egito. O corpo de um leão com a cabeça de um rei ou um deus, a esfinge passou a simbolizar força e sabedoria.
Grande Esfinge
Esfinge lado norte com pirâmide de Khafre A partir do lado norte do perfil do Sphinx revela a proporção do corpo para a cabeça. Afigura-se como se a cabeça é muito pequena em relação ao corpo. Por causa da mudança de terreno do deserto, o corpo da Esfinge foi enterrado várias vezes ao longo dos últimos milhares de anos. Mais recentemente, em 1905, a areia foi liberado para expor a magnitude ea beleza da totalidade da Esfinge. As próprias patas estão a 50 metros de comprimento (15 metros), enquanto o comprimento total é de 150 pés (45m). A cabeça é de 30 (10m) metros de comprimento e 14 pés (4m) de largura. Porque certas camadas da pedra são mais suaves do que os outros, há um alto grau de erosão que já custou o detalhe original da figura esculpida. A teoria mais popular e atual do construtor da esfinge sustenta que ela foi encomendado pela quarta dinastia King, Khafre (2558-2532 aC). Khafre era um dos filhos de Khufu (Quéops AKA). A esfinge se alinha com a Pirâmide de Quéfren ao pé da sua calçada. Como uma arredonda o canto nordeste da frente do Sphinx, o alinhamento das duas estruturas se torna mais aparente. Embora a cabeça da Esfinge é mal agredidas em alguns lugares, vestígios da pintura original ainda podem ser vistos perto de uma orelha. Originalmente, acredita-se que a Esfinge foi pintado e era bastante colorido. Desde então, o nariz e barba ter sido arrancada. O nariz foi a infeliz vítima de tiro ao alvo pelos turcos no período turco. É muitas vezes erroneamente assumido que o nariz foi baleado fora por homens de Napoleão, mas desenhos do século 18 revelam que o nariz estava faltando muito antes da chegada de Napoleão.

Grande EsfingeGrande Esfinge
Na mitologia egípcia — nos esclarece I.E.S.Edwards — o leão frequentemente figura como o guardião dos lugares sagrados. Como ou quando essa concepção surgiu primeiro não se sabe, mas provavelmente data da mais remota antiguidade. Como tantas outras crenças primitivas, foi incorporada pelos sacerdotes de Heliópolis ao seu credo solar, sendo o leão considerado como guardião dos portões do mundo subterrâneo nos horizontes leste e oeste. Na forma de esfinge, o leão retém a função de sentinela, mas lhe são dadas as características humanas do deus-Sol Atum. Uma inscrição, que data de um período consideravelmente posterior ao tempo de Kéfren, põe as seguintes palavras na boca da esfinge: Eu protejo a capela do teu túmulo. Eu guardo tua câmara mortuária. Eu mantenho afastado os intrusos. Eu jogo os inimigos no chão e suas armas com eles. Eu expulso o perverso da capela do sepulcro. Eu destruo os teus adversários em seus esconderijos, bloqueando-os para que não possam mais sair. Uma possível razão para a identificação das características do deus-Sol com aquelas do rei morto pode ser a crença heliopolitana de que o rei, após a sua morte, realmente torna-se o deus-Sol. A esfinge gigante representaria, assim, Kéfren como o deus-Sol atuando como guardião da necrópole de Gizé. O que é a Grande Esfinge? A Grande Esfinge tem o corpo de um leão e o rosto de um homem. É uma escultura de pedra calcária gigante no planalto de Gizé, perto do Cairo moderno, Egito, medindo 73,5 m. de comprimento por 20 m. em altura. A Grande Esfinge é a mais antiga escultura monumental conhecida. Na estátua está faltando o seu nariz, pelo menos desde os tempos de Napoleão. Provavelmente, ajudando a preservá-la, a esfinge quase foi enterrado na areia. A esfinge está na necrópole egípcia de Gizé que contém os três pirâmides monumentais: A Grande Pirâmide de Khufu (Quéops), que pode ter governado a partir de cerca de 2589-2566 aC, A pirâmide de Quéfren, filho de Quéops (Quéfren), que pode ter governado a partir de cerca de 2558 aC a 2532 aC, e A pirâmide de Khufu neto de Menkaure (Miquerinos). Fonte: www.geocities.com Grande Esfinge A Esfinge de Gizé é um símbolo que representou a essência do Egito durante milhares de anos.

Grande EsfingeA esfinge é uma criatura mitológica encontrada nas lendas do Egito, Assíria e Grécia da antigüidade. A esfinge é uma guardiã e uma criadora de enigmas. Quem desejar passar por ela tem que responder a seguinte questão: “O que anda de quatro ao amanhecer, de dois ao meio-dia, e de três ao anoitecer?” Na mitologia grega, Édipo foi o primeiro a dar a resposta certa: a humanidade. Engatinhamos quando bebês, andamos quando adultos, e usamos uma bengala (terceira perna) quando velhos. A Grande Esfinge, a mais famosa estátua desta criatura com corpo de leão e cabeça humana, foi construída em Giza, perto das Grandes Pirâmides do Egito, por volta de 2500 A.C. Esta imensa estátua tem mais de 21 metros de altura e 60 de comprimento. A pesar da cabeça da Grande esfinge ter sido danificada por vândalos já na era antiga, a maior ameaça a este monumento atualmente é o ácido contido no ar poluído.
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Embora o menino rei, Tutankhamen, tenha sido um governante bastante insignificante há 3200 anos no antigo Egito, morrendo aos 18 anos, a descoberta de seu túmulo em 1922 deu ao mundo seus primeiros exemplos da "vida real" da prática desses povos antigos de enterrar seus faraós com seus tesouros.
túmulo do rei Tut
O arqueólogo Howard Carter estava procurando por anos no Vale dos Reis do Egito, onde os restos de túmulos de outros faraós foram encontrados. Mas o túmulo de Tut foi o primeiro a ser encontrado completamente selado.
Enquanto Carter e seu patrocinador, Lord Carnavon, quebraram os selos no túmulo e entraram nas claras passagens e câmaras subterrâneas, viram figuras estranhas de ídolos, móveis requintados e outros objetos, todo o ouro.
Abrindo o caixão de Tut, os arqueólogos descobriram a múmia do menino rei, mas provavelmente por causa de algum erro cometido pelos embalsamadores de Tut, o corpo se desintegrou. No entanto, sob os envoltórios da mamãe havia 143 peças de joias feitas de ouro e pedras preciosas.
O corpo de Tut foi devolvido ao túmulo, mas os tesouros foram colocados no Museu do Cairo e ocasionalmente são emprestados como uma exposição para outros países. De 1977 a 1979, esses tesouros viajaram para museus em muitas grandes cidades americanas.
A abertura do túmulo de Tut começou uma "maldição do faraó", pois Lord Carnavon morreu quase imediatamente após a abertura e foi seguido logo depois por vários dos escavadores que escavaram o túmulo.